O Brasil chora, mais uma vez, diante de um crime bárbaro que arranca vidas inocentes e deixa uma cidade inteira mergulhada na dor. O desaparecimento e o trágico assassinato de três mulheres em Ilhéus — Alexandra O. Suzart, Maria Helena N. Bastos e sua filha, Mariana B. Silva — não é apenas um episódio isolado de violência, mas o retrato cruel de uma realidade que insiste em se repetir no país: a violência implacável contra as mulheres.
Na tarde de 16 de agosto, a busca desesperada de familiares, amigos e moradores teve um fim devastador. Os corpos das três vítimas foram encontrados em uma área de mata, atrás da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), zona sul da cidade. A esperança de encontrá-las com vida se transformou em luto, em revolta, em indignação.
Segundo informações, as três mulheres haviam saído para algo tão simples, tão cotidiano: uma caminhada pela Praia dos Milionários, acompanhadas de um cachorro branco. Poucas horas depois, o silêncio. Nenhum contato, nenhuma notícia, apenas a angústia que logo se transformaria na confirmação de um crime hediondo.
E diante disso, a pergunta ecoa mais uma vez: até quando mulheres terão suas vidas arrancadas pela violência? Até quando famílias serão destruídas pela crueldade que insiste em se repetir?
O caso de Ilhéus é apenas mais um capítulo em uma história sangrenta que assola o Brasil. Segundo dados de organismos de segurança e direitos humanos, o país registra, em média, um feminicídio a cada sete horas. É como se, a cada dia, famílias fossem condenadas ao luto, mães fossem arrancadas dos filhos, filhas fossem silenciadas pelo machismo, pela brutalidade, pela omissão do poder público.
As mortes de Alexandra, Maria Helena e Mariana não podem ser tratadas como números. São rostos, histórias, sonhos interrompidos. São mulheres que saíram de casa para um momento de lazer e jamais retornaram. Uma rotina simples, mas que, em um país que ainda falha em proteger suas cidadãs, se tornou sentença de morte.
A comoção em Ilhéus escancara a realidade: não existe mais espaço seguro para as mulheres. Nem as ruas, nem as praias, nem suas próprias casas. Onde está a segurança prometida? Onde está a resposta rápida e eficaz das autoridades? Quantas precisam morrer para que a violência contra a mulher seja tratada como prioridade absoluta?
A Polícia Civil já iniciou as investigações para identificar os responsáveis. Mas, mesmo diante de prisões e julgamentos, a ferida continua aberta. A cada crime como este, o Brasil se depara com um espelho doloroso: um país que ainda não aprendeu a proteger suas mulheres, que falha em dar voz às vítimas, que naturaliza a barbárie.
Ilhéus, agora, veste-se de luto. Mas não é apenas Ilhéus. É todo o Brasil. É cada mãe que teme pela filha quando ela sai de casa. É cada mulher que olha para os lados, com medo, ao caminhar sozinha. É cada família que já sentiu na pele o peso irreparável da violência.
A pergunta que não cala, que ecoa em cada esquina, em cada lágrima, em cada velório: até quando? Até quando vamos enterrar mulheres brutalmente assassinadas sem que nada mude de fato? Até quando o Brasil será palco da violência covarde que insiste em calar vozes femininas?
A resposta precisa vir com urgência. Porque enquanto a sociedade se cala, a violência grita. Enquanto a justiça tarda, vidas são perdidas. Enquanto o Estado falha, o luto se repete.
Chega de mortes. Chega de violência. O grito precisa ser uníssono: nenhuma mulher a menos!


