O diretor do documentário Rejeito, Pedro de Filippis, afirma que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para acontecer em novembro em Belém (PA), corre o risco de se tornar um espaço dominado por interesses corporativos. A crítica se intensifica diante do patrocínio da mineradora Vale, responsável por dois dos maiores desastres socioambientais da história do país, em Mariana (2015) e Brumadinho (2019). “Se relembrarmos o histórico de COPs, entendemos que aquilo é um grande palco de negociação dos recursos naturais. Tanto que hoje temos o patrocínio master da Vale, os minerais de transição como foco e uma série de governos e empresas com interesse direto em nossas reservas”, afirma, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Para o diretor, a presença de empresas responsáveis por crimes ambientais em eventos internacionais de clima revela uma contradição. “O que era para ser um espaço de acordos que realmente mudassem a gestão ambiental acaba virando algo para inglês ver. As empresas jogam com o poder de comunicação dessas ações, mais do que com medidas concretas”, critica. Filippis considera que o evento paralelo, a Cúpula dos Povos, é quem deve impulsionar os debates ambientais de forma popular. Organizada por movimentos sociais, povos indígenas e organizações da sociedade civil, a iniciativa deve reunir mais de 15 mil participantes na Universidade Federal do Pará (UFPA) durante a COP, com debates sobre justiça climática e defesa dos territórios. “Aí sim existe uma faísca de esperança porque as conquistas ambientais e sociais no país sempre vieram da rua”, diz. ‘Barragens são bombas-relógio’ O documentário Rejeito, com estreia no dia 30 de outubro em capitais como Brasília, São Paulo, Recife e Belo Horizonte, revisita as tragédias de Mariana e Brumadinho e denuncia a negligência das mineradoras e do Estado. “Existem rompimentos em Minas Gerais desde a década de 80. De dez em dez anos tem barragem rompendo. É o acúmulo de uma negligência de décadas. Barragem é a única estrutura que não gera lucro, por isso é negligenciada”, afirma. Segundo o diretor, milhares de pessoas seguem vivendo sob risco iminente. “[Barragens] são bombas-relógio. Em Congonhas, por exemplo, a estimativa é de oito segundos para atingir bairros com 15 mil pessoas”, alerta. Para ouvir e assistir O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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