O presidente do Líbano, Joseph Aoun, ordenou nesta quinta-feira (30) que seu Exército enfrente qualquer incursão de Israel no sul do país. A diretriz foi uma resposta à ação de militares israelenses que cruzaram a fronteira durante a noite e mataram um funcionário municipal na sede da prefeitura da cidade de Blida. Tel Aviv mantém tropas em posições estratégicas na fronteira sul do Líbano e realiza ataques regulares, apesar do cessar-fogo entre os dois países em vigor desde novembro de 2024, após um intenso conflito com o grupo extremista Hezbollah. Historicamente, o Exército libanês tem permanecido à margem dos conflitos com Israel. Pouco depois da ordem de Aoun, aviões de guerra israelenses sobrevoaram o palácio presidencial em Beirute, segundo uma testemunha narrou à agência de notícias Reuters, em um exemplo do aumento das tensões na região. Tel Aviv afirma que suas incursões e seus ataques têm o objetivo de impedir que o Hezbollah reconstrua sua presença militar no sul, enquanto o Líbano acusa Israel de violar a trégua. Na quarta-feira (29), tropas israelenses entraram em Blida e dispararam contra o prédio da prefeitura, matando um servidor que estava dormindo no local, segundo o Exército libanês. As Forças Armadas classificaram o ataque de criminoso. A agência estatal de notícias libanesa (NNA) identificou o funcionário como Ibrahim Salameh. Segundo um membro do governo relatou à Reuters, o corpo de Salameh foi encontrado de pijama em uma poça de sangue no chão, com vários ferimentos por bala. O Exército israelense afirmou que os soldados dispararam após identificar “uma ameaça imediata” durante uma operação para destruir a infraestrutura do Hezbollah. O incidente está sob revisão, acrescentou o comunicado. Em resposta, Aoun pediu ao comandante do Exército, o general Rudolph Haykal, que “confronte qualquer incursão israelense nos territórios liberados do sul”. Segundo o presidente, a ofensiva em Blida faz mo parte de um padrão recorrente de agressões israelenses. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Ainda de acordo com Aoun, a ação ocorreu pouco depois de uma reunião do comitê internacional responsável por monitorar o cessar-fogo, presidido pelos Estados Unidos. O presidente pediu que o comitê adote medidas concretas para pressionar Israel a respeitar a trégua. A força de paz das Nações Unidas no sul do Líbano informou que está coletando mais informações sobre o episódio. O Hezbollah, que vem sendo pressionado por Aoun a se desarmar conforme o acordo de cessar-fogo, declarou que prestaria apoio às ordens do presidente “com todos os recursos disponíveis”. O grupo se nega a entregar suas armas.
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