As mudanças climáticas têm impactado cada vez mais a saúde da população brasileira. É o que explica Tatiana Moraes, professora do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e colaboradora do setor de saúde do AdaptaBrasil, sistema do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ela diz que o avanço das arboviroses – como dengue, chikungunya e oropouche – e o aumento de eventos extremos, como secas e enchentes, estão pressionando o sistema de saúde no Brasil. “Nos últimos dois anos, qualquer brasileiro viu a diferença do que as mudanças climáticas podem causar na saúde. Tivemos a pior epidemia de arboviroses da história. De dengue, vimos os maiores números em lugares que não esperávamos ver”, afirma. “Tivemos o desastre no Rio Grande do Sul, a pior seca da história… Então o que vemos é o aumento da frequência de alguns eventos e da intensidade: mais casos, mais internações, mais pessoas hospitalizadas associadas às mudanças do clima”, cita. O relatório Política Climática por Inteiro 2024, divulgado em meio à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), aponta que o Brasil avançou em estratégias de adaptação climática, mas que os impactos sobre a saúde ainda exigem políticas mais integradas e investimentos contínuos. O documento calcula “que eventos associados à mudança do clima tenham causado no Brasil danosmateriais de mais de R$ 421 bilhões entre 2014 e 2023, com quase 5 milhões de pessoas atingidas diretamente”, considerando entre os impactos “perdas de vidas” e “danos à saúde”. “O que estamos vendo é que ele [Aedes aegypti, o mosquito da dengue] está se adaptando a regiões que há seis, sete anos atrás ele não estava. Hoje, vemos um deslocamento dos casos e dos óbitos para a região Sudeste e Sul. Esse centro-sul do país tem batido recordes de casos, internações e óbitos”, indica Moraes. Ao mesmo tempo, ela garante que o sistema de saúde brasileiro tem tentado se adaptar. “Estamos melhorando como diagnosticamos e cruzamos os dados [de saúde] com dados climáticos e ambientais, e como preparamos o sistema de saúde para lidar com essas emergências. Isso envolve também a formação de profissionais e a preparação dos sistemas para responder às ondas de calor e aos períodos de chuva, que são ideais para o mosquito”, aponta. De acordo com o AdaptaBrasil, existem 1.900 municípios com risco alto ou muito alto para o desenvolvimento de arboviroses até 2030. “Olhamos o que já teve de casos e analisamos de acordo com os cenários futuros do clima. Com o aumento da temperatura e da umidade, regiões como o Sul e áreas serranas de São Paulo e Rio de Janeiro passam a ser mais propícias para o mosquito”, informa a professora. O eixo saúde do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê R$ 17,1 bilhões em investimentos, parte deles voltados à vigilância e à resposta a surtos de arboviroses. Moraes avalia que o Brasil tem sido pioneiro nesse campo, mas que o desafio é manter o ritmo de adaptação. “No ano passado, mais de 60% dos casos de dengue no mundo foram nossos. É uma prioridade do sistema de saúde fazer essa vigilância”, afirma. “O investimento precisa ser muito mais na identificação, nos modelos matemáticos, em plataformas de dados e no diagnóstico porque também temos o risco de doenças que antes estavam restritas à Amazônia surgirem em outras regiões”, acrescenta. Nesta quinta-feira(13), o governo brasileiro lançou o Plano de Ação de Belém para Adaptação do Setor de Saúde às Mudanças Climáticas. A proposta foi anunciada na COP30 pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que destacou o objetivo de reforçar a resiliência e a adaptação do setor de saúde às mudanças climáticas. Para ouvir e assistir O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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