O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Friedrich Merz, vem recebendo duras críticas de congressistas da oposição alemã por declarações consideradas grosseiras sobre a cidade de Belém, sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Ao retornar a Berlim, Merz disse ter perguntado aos jornalistas que o acompanharam ao Brasil se algum deles gostaria de ficar em Belém. “Ninguém levantou a mão”, disse Merz. Ele argumentou que os repórteres estavam “felizes” em retornar à Alemanha, que ele descreveu como “um dos países mais bonitos do mundo”. A deputada verde Lisa Badum disse que “esta não é a Alemanha que quero representar”. Em vídeo publicado em suas redes sociais, ela aparece comendo uma manga que pega na rua da capital paraense. “Já tive que me desculpar diversas vezes aqui no Brasil pelo desprezo de Merz por Belém. A crise climática exige solidariedade e cooperação internacional, não arrogância de mente fechada. Merz deve corrigir seu erro e pedir desculpas ao Brasil e ao povo de Belém”. Também do Partido Verde, Katharina Dröge disse que “começa-se a questionar se o chanceler ainda consegue aparecer em algum lugar sem colocar a Alemanha em uma posição difícil”. “A imagem que o chanceler projetou durante sua viagem ao Brasil foi desastrosa: falta de tato na política externa, falta de ambição na política climática e simplesmente desrespeito ao Brasil”. Já Violetta Bock, do partido A Esquerda, afirmou que “a Alemanha está se envergonhando no cenário internacional” e pediu que o diplomata se desculpasse. “As declarações de Merz sobre o Brasil são desrespeitosas, condescendentes e preconceituosas”, disse ela. Na segunda-feira (17), quando a polêmica veio à tona, o ministro alemão do Meio Ambiente, Carsten Schneider, saudou o “povo maravilhoso do Brasil”, que o cativou “com sua hospitalidade calorosa” durante a sessão plenária da COP30. “Viva a Amazônia”, concluiu. Reações brasileiras Em tom de brincadeira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, na terça-feira (18), que Merz “deveria ter ido num boteco”. “Ele, na verdade, deveria ter ido num boteco no Pará (…), deveria ter dançado no Pará (…), deveria ter provado a culinária do Pará”, disse Lula durante um ato em Ximboá, no Tocantins. “Porque ele ia perceber que Berlim não oferece pra ele 10% da qualidade que oferece o estado do Pará”, acrescentou. O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), foi mais duro ao denunciar o “discurso preconceituoso” de Merz. “Curioso ver quem ajudou a aquecer o planeta estranhar o calor da Amazônia”, postou Barbalho na segunda-feira na rede X. O governador pediu, ainda, “menos promessas e mais apoio concreto para quem protege as florestas”. O prefeito da capital paraense, Igor Normando (MDB), disse, em um vídeo também publicado no X, que o “preconceito e a arrogância” das falas de Merz contrastam com o fascínio demonstrado pelos visitantes alemães nas ruas da cidade. Empenhado em realizar a conferência em Belém para mostrar ao mundo a realidade do povo que vive na Amazônia, Lula resistiu às críticas sobre a escassez de acomodações para receber os mais de 40 mil credenciados. “A gente quer que as pessoas vejam a real situação das florestas, dos nossos rios, dos nossos povos que moram lá”, afirmou o presidente antes da abertura da COP30. Consultado pela AFP, um porta-voz de Merz disse que o chanceler alemão “tem um grande respeito de que uma conferência de tal magnitude seja realizada em Belém”. Aporte alemão Durante a cúpula, Merz prometeu que a Alemanha fará um “aporte significativo” à iniciativa brasileira na COP30 de criar um fundo de investimentos para proteger as florestas tropicais, embora não tenha mencionado um valor Na quarta-feira, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, anunciou que o governo da Alemanha confirmou aporte de 1 bilhão de euros (R$ 6,14 bi) para Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). A imprensa brasileira vem apelidando o aporte como “pix da gafe”, em referência às declarações de Merz.
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