Movimentos populares, feministas, artistas, parlamentares e autoridades do governo Lula (PT) marcaram presença nos atos pela vida das mulheres em diversas capitais neste domingo (7). Com faixas e cartazes denunciando a violência de gênero, o movimento convocado nas ruas cobrou o fim da cultura machista e agilidade do sistema de justiça nos casos que tiveram ampla repercussão nos últimos dias. Distrito Federal Em Brasília, o ato aconteceu pela manhã na Feira da Torre de TV e, mesmo sob chuva, reuniu milhares de mulheres. O protesto também contou com a presença de autoridades do governo Lula, entre elas, a primeira-dama Janja da Silva, as ministras Anielle Franco, Márcia Lopes, Ester Dweck, Sônia Guajajara, Luciana Santos e Gleisi Hoffmann. Ao Brasil de Fato, a ministra da Igualdade Racial afirmou que o “Brasil chorou e sangrou” com os últimos casos de violência contra mulher. “Se a gente que é ministra, que tem voz, passa por assédio, por violência, por tanta coisa, imagina as mulheres que não tem com quem denunciar e onde denunciar. Que o país aprenda de uma vez por todas que as mulheres têm que estar vivas e para isso precisam ser respeitadas”, disse Anielle Franco. Em sua fala, a ministra das Relações Institucionais Gleise Hoffmann defendeu que a causa feminista é de toda sociedade, um marco civilizatório para a democracia efetiva. “Nós temos um problema histórico, cultural, de subjugação das mulheres, e nós temos que mudar isso. A gente muda com políticas públicas como o governo do presidente Lula tem feito”, disse. Ministras e a primeira-dama, Janja Lula da Silva, durante ato do Levante Mulheres Vivas | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil Para romper o ciclo da violência de gênero é preciso atuar também na educação constante, principalmente das crianças. “Meninos e meninas têm que ser educados com convivência, com respeito, para que não se reproduza essa prática nefasta que nós temos na sociedade brasileira”, discursou Hoffmann. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ressaltou que o país precisa aumentar a representação em todas as esferas políticas. “Queremos 50% das mulheres nos cargos políticos. Não vamos votar em homens que agridem, ofendem, as mulheres. Não vamos votar nas mulheres que fazem de conta que defendem as mulheres”, declarou. A primeira-dama afirmou que não faltam políticas públicas de combate à violência, mas sim “vergonha na cara dos homens e um pouco mais de humanidade”. Janja também defendeu uma legislação mais dura para o crime de feminicídio e disse que vai mobilizar um comitê de alto nível para essa proposta. “Estou pedindo aqui para as ministras, para a gente confirmar o Judiciário, um comitê de alto nível, o que seja, porque a gente precisa de penas mais dura para o feminicídio. Não é possível um homem matar uma mulher e uma semana depois estar na rua para matar outra. Isso não pode mais acontecer no Brasil”, pontuou. Paraná Mulheres, homens, famílias, movimentos socais populares, artistas e parlamentares foram às ruas de Curitiba neste domingo (7) dizer basta à onda de violência contra as mulheres. Entre as presenças no ato estava a atriz Letícia Sabatella. Ela disse que os feminicídios ocorridos nesta semana enlutecem todas as mulheres. “Sinto que é muito doloroso o que estamos passando, eu estou aqui, pois não suporto mais e espero que os homens que estejam aqui também não suportem mais e rompam com essa sociedade da violência”, convocou. Mobilização Nacional Mulheres Vivas em Curitiba | Crédito: Fernan Silva Rio de Janeiro Neste domingo (7), milhares estiveram na Praia de Copacabana para o Levante Mulheres Vivas. Durante o ato, mulheres interromperam parte do trânsito da avenida Atlântica enquanto entoavam palavras de ordem contra o machismo, o racismo e o feminicídio. Mulheres pintadas de vermelho, girassóis e cruzes no asfalto representaram as vítimas dessa violência. No RJ, foram registrados 107 feminicídios em 2024. Em mais de 60% dos casos, companheiro ou ex-companheiro cometeram os assassinatos, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP). Ato em Copacabana lembrou vítimas de feminicídio. Foto: @cris_lucenafotos | Crédito: @cris_lucenafotos A diretora-executiva do Instituto Marielle Franco, Luyara Franco, destacou a continuidade da luta da sua mãe. “Precisamos garantir direitos plenos e cobrar do Estado investimento real em políticas públicas que protejam a vida das mulheres. A nossa resposta continuará sendo na rua, gritando e lutando. Essa sempre foi a luta da minha mãe, Marielle”, afirmou Luyara. Porto Alegre As cidades de Porto Alegre (RS), Belém (PA), Joinville (SC) e Cuiabá (MS) realizaram mobilizações no sábado (6), e Salvador (BA) no próximo domingo (14). Na capital do Rio Grande do Sul, a manifestação teve concentração na Praça da Matriz, e culminou com o encerramento do Festival Mulheres em Luta (MEL). Durante a caminhada pelo centro da cidade, mulheres assassinadas tiveram seus nomes lembrados por familiares. De acordo com o Observatório de Feminicídios Lupa Feminista, de janeiro até 5 de dezembro, o Rio Grande do Sul registrou 79 feminicídios, número que ultrapassa o registrado durante todo o ano de 2024. “É uma grave violação de direitos humanos, um problema de Estado e de saúde pública que pode ser prevenido. O feminicídio está vinculado a padrões culturais, e cultura se muda”, disse a jornalista e integrante do Levante Feminista contra o Feminicídio, Lesbocídio e Transfeminicídio, Télia Negrão. Uma intervenção com sapatos vazios simbolizou as mulheres assassinadas e as vidas interrompidas pela violência de gênero, materializando a dimensão da crise que atinge o país. Também ocorreram mobilizações em Vitória (ES), Belo Horizonte (MG), Maceió (AL), Fortaleza (CE), São Luís (MA), João Pessoa (PB), Recife (PE), Teresina (PI), Natal (RN), Rio Branco (AC), Manaus (AM), Boa Vista (RR), Palmas (TO), Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Campo Grande (MS) e Goiânia (GO). Em Salvador (BA), o protesto está marcado para o próximo domingo (14), às 10h, na Barra.
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