A Marquês de Sapucaí será palco de homenagens inesquecíveis neste Carnaval. As escolas de samba do Grupo Especial disputam o título com enredos que exaltam personalidades do mundo artístico, da política e da cultura popular. Das 12 escolas, 8 apresentam enredos com temas biográficos em 2026. No primeiro dia de desfiles, os homenageados serão o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (Acadêmicos de Niterói), o cantor Ney Matogrosso (Imperatriz), o líder religioso Custódio do Bará (Portela), e o Mestre Sacaca (Mangueira). Entre os personagens que vão emocionar o público na avenida estão ainda a cantora Rita Lee (Mocidade), o sambista e diretor de bateria Ciça (Viradouro), a escritora Carolina Maria de Jesus (Unidos da Tijuca) e a carnavalesca Rosa Magalhães (Salgueiro). A elite do carnaval do Rio de Janeiro vai desfilar nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro. Acadêmicos de Niterói, Mocidade Independente e Paraíso do Tuiuti, abrem respectivamente o domingo, a segunda e a terça-feira de carnaval. :: Quer receber notícias do Brasil de Fato RJ no seu WhatsApp? :: Antes do desfile oficial, os ensaios técnicos são gratuitos e abertos ao público que pode sentir o clima do que será apresentado. Os ensaios começam no dia 30 de janeiro e seguem até 8 de fevereiro, sempre às sextas, sábados e domingos. Confira os enredos na ordem dos desfiles: Domingo (15 de fevereiro) Acadêmicos de Niterói Carnavalesco: Tiago Martins A estreante do Grupo Especial vai prestar uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o enredo Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil. A letra ressalta investimentos na educação e no combate à fome. “Tem filho de pobre virando doutor / comida na mesa do trabalhador / a fome tem pressa”, diz o samba. Entre os compositores estão Teresa Cristina e Arlindinho. Além da vida política de Lula, “da liderança sindical à mundial”, o samba também rememora a luta contra a ditadura militar de 1964 até os fatos mais recentes da nossa história. “Sem temer tarifas e sanções / Assim que se firma a soberania / Sem mitos falsos, sem anistia”. Confira o samba da Acadêmicos de Niterói. Imperatriz Leopoldinense Carnavalesco: Leandro Vieira Entre penas e pedras, lantejoulas e plumas, troncos e raízes, a Imperatriz apresenta o enredo Camaleônico, inspirado na figura performática de Ney Matogrosso. “Sou meio homem, meio bicho / O silêncio e o grito / Pássaro, mulher / Que pinta a verdade no rosto / Traz a coragem no corpo / E nunca esconde o que é”, diz o samba. Após o sucesso nos cinemas, com o filme biográfico Homem com H, uma das mais importantes personalidades da MPB será reverenciada na Sapucaí em 2026. A letra faz referência a diversas canções eternizadas pelo artista, como Sangue Latino e Rosa de Hiroshima, e a sua personalidade libertária e transgressora. “Eu sou o poema que afronta o sistema / A língua no ouvido de quem censurar / Livre para ser inteiro / Pois sou homem com H / E como sou”. Confira o samba da Imperatriz. Portela Carnavalesco: André Rodrigues A azul e branco de Madureira vem contar que o “Pampa é terra negra em sua essência”, sob o enredo O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande. O samba conta a trajetória de Custódio Joaquim de Almeida, líder africano que se estabeleceu Porto Alegre. A figura histórica do século 19 se tornou símbolo da religiosidade e ancestralidade afro-gaúcha. “Portela / Tu és o próprio trono de Zumbi / Do samba, a majestade em cada ori / Yalorixá de todo axé / Enquanto houver um pastoreio / A chama não apagará / Não há demanda que o povo preto não possa enfrentar”, diz a letra. Confira o samba da Portela. Estação Primeira de Mangueira Carnavalesco: Sidnei França A Mangueira enaltece as tradições afro-indígenas do Norte com o enredo Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra. “Salve o curandeiro / Doutor da floresta / Preto velho, saravá / Macera folha, casca e erva / Engarrafa a cura, vem alumiar / Defuma folha, casca e erva / Saravá”, diz a letra. Figura mística da sabedoria ancestral, Mestre Sacaca (Raimundo dos Santos Souza) foi curandeiro, folião, marabaixeiro e defensor dos povos da floresta. Na Sapucaí, a verde e rosa evoca sua presença como entidade, o Xamã Babalaô. “A magia do meu tambor te encantou no Jequitibá / Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá / Na estação primeira do Amapá”. Confira o samba da Mangueira. Segunda (16 de fevereiro) Mocidade Independente de Padre Miguel Carnavalesco: Renato Lage A escola de samba da Vila Vintém faz uma homenagem à eterna rainha do rock brasileiro com o enredo Rita Lee, a Padroeira da Liberdade. “Um belo dia resolvi mudar / Cansei dessa gente careta / Aos seus bons costumes eu sinto informar / Formei outras ovelhas negras”, começa o samba. A letra é recheada de referências às músicas afiadas e bem-humoradas de Rita Lee, e também adapta melodias para o ritmo carnavalesco. “Desbaratina a razão, se joga, meu bem / No céu, no mar, na lua… na Vila Vintém!”. Com a mistura de psicodelia Mutante, a ovelha negra se encanta em Santa Rita da “Leeberdade” na Sapucaí com sua atitude transgressora típica desse tal de “roque enrow”. A cantora faleceu em 2023, em São Paulo. Confira o samba da Mocidade. Beija-Flor de Nilópolis Carnavalesco: João Vitor Araújo No país que aboliu a escravidão sem nenhuma reparação, a Beija-Flor vai afirmar na Sapucaí que ocupar o espaço público é um ato político, uma forma de autorreparação. Com o enredo Bembé, a escola celebra o maior Candomblé de rua do mundo. “Não me peça pra calar minha verdade / Pois a nossa liberdade, não depende de papel / Em Santo Amaro, todo treze de maio / Nossa ancestralidade é festejada à luz do céu”, afirma o samba sobre as manifestações que reverberam a força do povo preto em prol da liberdade. Após 50 anos, uma dupla de intérpretes sucede à voz icônica de Neguinho da Beija-Flor na avenida. “Cantando, saudamos a nossa fé / Às nações do candomblé / Onde a paz e o respeito / Ressoam no couro do axé funfun / Não tememos ataque algum / A rua ocupamos por direito”. Confira o samba da Beija-Flor. Unidos do Viradouro Carnavalesco: Tarcísio Zanon Os tambores da Viradouro vão rufar com o enredo Pra cima, Ciça, em homenagem ao mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto. O sambista completa 70 anos de vida e 55 anos do seu primeiro desfile, e vai cruzar a Sapucaí em pleno ofício. A letra do samba exalta a trajetória e as inovações percussivas de Ciça na avenida. “Quando o apito ressoa, parece magia / Num trem caipira, no olho da baiana / Medalha de ouro, suingue perfeito / Que marca no peito da escola de samba”, diz um trecho. Com passagens por diversas escolas de samba, Ciça é figura cativa e emblemática do carnaval carioca. Em cada bateria, o mestre deixou o registro da sua ousadia. “Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender / E, hoje, aos teus pés / Somos todo um nessa avenida / Num furacão que nunca vai ter fim”. Confira o samba da Viradouro. Unidos da Tijuca Carnavalesco: Edson Pereira Aquela que venceu a fome escrevendo o Brasil é o enredo da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2026. Na favela do Canindé, Carolina Maria de Jesus narrava tudo o que via e sentia ao seu redor enquanto catava papéis para dar o que comer aos filhos. “Os olhos da fome eram os meus / Justiça dos homens, não é maior que a de Deus / Meu quarto foi despejo de agonia / A palavra é arma contra a tirania”, diz o samba. A letra reivindica outro desfecho para aquelas que viveram na pele o mesmo cenário. “Por ser livre nas palavras / Condenaram meu saber / Fui a caneta que não reproduziu / A sina da mulher preta no Brasil”. Confira o samba da Tijuca. Terça-feira (17 de fevereiro) Paraíso do Tuiuti Carnavalesco: Jack Vasconcelos Primeira escola a definir o enredo de 2026, a Paraíso do Tuiuti vai apresentar Lonã Ifá Lukumi, que conta a história dos orixás afro-cubanos. “E o negro iniciado no segredo / Do reino de Olokun fez sua trilha / Rompendo os grilhões de morte e medo / Foi o primeiro babalaô da ilha”, diz o samba. Segundo a vertente religiosa, existe uma conexão espiritual entre Cuba e o Brasil, enraizada nos orixás e ancestrais africanos, que se enlaçam cultural e energeticamente há gerações. “Ah! A rama do Caribe se expandiu / No verde e amarelo do Brasil / Nas cordas do Opelê e no Oponifá / Derruba o muro quem sabe asfaltar / Caminhos abertos na mão de Ifá / Que o mundo entenda / O ebó vence a dor / Sentado à esteira de um Babalaô”. Confira o samba da Tuiuti. Unidos de Vila Isabel Carnavalescos: Leonardo Bora e Gabriel Haddad Com o enredo Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África, a Vila Isabel apresenta a África imaginada por Heitor dos Prazeres no coração do Rio de Janeiro. “Ora yê yê ô, Oxum / Kabecilê, Xangô / Meus senhos e tambores, tintas e ‘prazeres’ / Pra você, Heitor”, diz a letra. O enredo celebra as memórias e os percursos de “um homem do povo”, multiartista, sambista, inventor e sonhador, que pintou e bordou no carnaval. E reafirma: “macumba é samba e o samba é macumba”. “Um Ogã-alabê, macumbeiro / A fumaça do cachimbo, preto-velho soprou / Encanto da gira e da de bamba / Poesia na curimba, batuqueiro e cantador”, diz o refrão. Confira o samba da Vila Isabel. Acadêmicos do Grande Rio Carnavalesco: Antônio Gonzaga Gramacho encontra o Capibaribe para anunciar a revolução no enredo da Grande Rio no Carnaval 2026. A escola mergulha na história do movimento de contracultura Manguebeat, que surgiu no Recife nos anos 1990, com o enredo A Nação do Mangue. “Eu sou do mangue, filho da periferia / Sobre uma palafita Grande Rio anunciou / Ponta de lança é Daruê / Dobra o Gonguê… a revolução já começou”, diz o samba. O manifesto que emergiu das juventudes periféricas continua atual na sua crítica social. “Freire, ensine um país analfabeto / Que não entendeu o manifesto / Da consciência social / Chico, Manguebeat tá na rua / Caxias comprou a luta e transforma em carnaval”, completa a letra da Grande Rio. Confira o samba da Grande Rio. Acadêmicos do Salgueiro Carnavalesco: Jorge Silveira O último dia de desfile do Grupo Especial encerra com uma homenagem do Salgueiro à carnavalesca Rosa Magalhães, que morreu em 2024. “Mestra, você me fez amar a festa e eu virei carnavalesco / Sonhei ser Rosa, te faço enredo”, diz um trecho. A letra nos leva ao encontro de uma Rosa criança que imagina personagens históricos ou inventados. Na magia da avenida, tudo isso se materializa, e o legado da mestra segue vivo na Sapucaí com as novas gerações. A artista revolucionou a forma de fazer carnaval, e acumulou sete títulos no sambódromo. “Ô lê lê! Eis a flor dos amanhãs / A décima estrela brilha em Rosa Magalhães / Onde o samba é primavera, que floresce em fevereiro”. Confira o samba do Salgueiro.
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