A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou nesta segunda-feira (19) que convocará eleições nacionais para 8 de fevereiro em uma tentativa de angariar apoio para sua plataforma de aumento de gastos públicos, cortes de impostos e reforço da política de segurança nacional. A decisão foi comunicada em uma entrevista coletiva e já era esperada. Para a realização do pleito, a primeira-ministra afirmou que irá dissolver a Câmara dos Representantes nesta sexta-feira (23), abrindo caminho para a convocação formal das eleições antecipadas. “Estou apostando meu próprio futuro político como primeira-ministra nesta eleição. Quero que o público julgue diretamente se confiará a mim a gestão da nação”, afirmou. A eleição representa o primeiro grande teste eleitoral de Takaichi desde que se tornou a primeira mulher a chefiar o governo japonês, em outubro de 2025. O pleito também permitirá ao eleitorado avaliar a nova coalizão formada com o Partido da Inovação do Japão, após a saída do Komeito, antigo aliado do PLD (Partido Liberal Democrata), às vésperas da eleição que levou a política ao cargo. A votação ocorrerá pouco mais de um ano após a última eleição para a Câmara dos Representantes, realizada em outubro de 2024. Pelo sistema político japonês, os deputados têm mandato de até quatro anos, mas a Constituição permite a dissolução antecipada da Câmara, prática comum no país. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Além de buscar respaldo para sua agenda econômica, a campanha deve ser marcada pelo debate sobre segurança nacional. Takaichi defende o aumento dos gastos militares e o fortalecimento das capacidades de defesa do Japão diante do ambiente regional mais instável. O anúncio das eleições ocorre após uma relativa estabilização da crise diplomática com a China, provocada por declarações da premiê sobre Taiwan. Em discurso ao parlamento, Takaichi afirmou que um eventual ataque chinês à ilha poderia representar uma ameaça existencial ao Japão, o que gerou reações duras de Pequim. A tensão em torno de Taiwan e a importância estratégica do Mar do Sul da China também têm levado os Estados Unidos a pressionar aliados na região, como Japão e Coreia do Sul, por um maior comprometimento com gastos militares e segurança regional.
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