Um trem de passageiros se chocou contra um guindaste de construção nesta quinta-feira (22) em um local próximo à cidade de Cartagena, na Espanha, deixando um número não identificado de pessoas com ferimentos leves. Este é o quarto acidente de trem no país desde domingo (18), quando um descarrilamento matou pelo menos 45 pessoas em Adamuz, na província de Córdoba, um dos piores acidentes ferroviários dos últimos anos na Europa. Na terça (20), outro descarrilamento após fortes chuvas em Gelida, na Catalunha, matou o maquinista do trem e deixou quatro passageiros em estado grave. A mesma tempestade causou mais um descarrilamento, este sem feridos, quando uma rocha atingiu a ferrovia em Barcelona. Segundo as autoridades da província de Múrcia, onde fica Cartagena, o trem que se chocou contra o guindaste nesta quinta não descarrilou. O operador Adif (Administrador de Infraestruturas Ferroviárias) disse em nota que a linha foi interrompida “após a invasão de um guindaste que não pertencia à operação” da empresa, sem dar mais detalhes. Na quarta (21), o principal sindicato de maquinistas da Espanha convocou uma greve de três dias em fevereiro para exigir mais medidas de segurança e trabalho de manutenção nas ferrovias do país. “Os graves acidentes em Adamuz e Gelida são um ponto de inflexão. Exigimos que todas as ações necessárias sejam tomadas para garantir a segurança das operações ferroviárias”, disse o Semaf (Sindicato Espanhol de Maquinistas Ferroviários) em nota. “Pediremos a denúncia criminal de todos os responsáveis.” O Semaf afirma ter enviado uma carta ao Adif em agosto de 2025 alertando sobre as condições desgastadas da estrada de ferro onde ocorreu o descarrilamento de Adamuz. O documento disse que buracos e irregularidades na via vinham causando problemas para trens de alta velocidade que percorriam o trecho. “Entendemos o estado de ânimo dos maquinistas e o respeitamos”, disse Óscar Puente, ministro dos Transportes do governo Pedro Sánchez. “O que não concordamos é que a greve geral seja a melhor forma de manifestá-lo”, completou, reafirmando sua “confiança no sistema ferroviário espanhol”. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo “Não podemos, nem devemos pôr em questão nossa rede, nem o transporte público do nosso país. Não é perfeito, não é infalível, mas é um grande sistema de transporte”, acrescentou Puente. O Adif determinou na terça que os trens no trajeto Madri-Barcelona limitem a velocidade de circulação para evitar novos acidentes.
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