Organizações estudantis e civis nos Estados Unidos organizam uma greve geral nesta sexta-feira (30) para protestar contra as ações migratórias agressivas do governo de Donald Trump. O grupo “National Shutdown” (paralisação nacional) sugere um dia sem escolas, sem trabalho e sem funcionamento do comércio, com atos marcados em quase todos os estados do país, em cidades grandes e pequenas. A greve geral é puxada principalmente por grupos estudantis de Minnesota, incluindo a Associação de Estudantes Somalis, nacionalidade que tem grande comunidade imigrante no estado. “Eles queriam nos intimidar e espalhar medo em nossos corações, mas isso não vai funcionar. É exatamente por isso que estamos voltando. A única maneira de realmente lutar é expandir o movimento de paralisação da última sexta-feira”, disse Dahir Munye, presidente da Associação de Estudantes Somalis. Artistas conhecidos de Hollywood amplificaram o chamado para os protestos compartilhando publicações com a data e críticas ao ICE, como a cantora e atriz Ariana Grande e o ator Pedro Pascal. Na última sexta-feira, outra greve geral levou milhares às ruas americanas contra as operações do ICE e outras ações federais de migração, que já havia matado Renee Good, em Minneapolis, no início do mês. Um dia após a convocação da semana passada, agentes federais mataram Alex Pretti, na mesma cidade, durante um protesto. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Procuradores federais em Minneapolis afirmam se sentir profundamente frustrados com a resposta do Departamento de Justiça às mortes e indicaram que podem renunciar em massa, deixando o escritório local incapaz de lidar com carga atual de processos, segundo o jornal The Washington Post. Os organizadores dos protestos em Minneapolis iniciaram nesta sexta ato em frente a um edifício federal onde imigrantes capturados na operação foram detidos —o local tem sido palco de inúmeros protestos nas últimas semanas. Também estava planejada para a tarde uma marcha e manifestação no edifício Government Plaza. No sábado, grupos de defesa, incluindo a Coalizão das Cidades Gêmeas pela Justiça (cidades gêmeas é como Minneapolis e St. Paul, a capital de Minnesota, são conhecidas) e o Comitê de Ação pelos Direitos dos Imigrantes de Minnesota, realizarão uma marcha e manifestação em uma praça de Minneapolis. No último sábado (24), o grupo 50501 organizou o “Dia Nacional de Ação ICE Fora de Todos os Lugares”. A organização incentiva ativistas nos 50 estados a realizarem manifestações em frente a centros de detenção, escritórios regionais do ICE, companhias aéreas que trabalham com a agência e escritórios de congressistas, de acordo com um comunicado à imprensa. Os protestos continuarão até que os agentes federais sejam “permanentemente removidos de nossas ruas”, afirmou a nota do grupo, cujo nome significa 50 estados, 50 protestos, 1 movimento, e já havia participado das marchas “No Kings” (sem reis, em inglês), contra as ações de Trump. O governo Trump tem indicado um tímido recuo nas operações de imigração desde a morte de Pretti, no último sábado. A gestão classificou inicialmente Pretti de “terrorista doméstico” que queria “massacrar” agentes federais, apesar de evidências em vídeo e testemunhas mostrarem que o enfermeiro estava imobilizado quando sofreu dez tiros de agentes. Já no domingo (25), o presidente republicano afirmou que o governo estava “revisando tudo” e removeu o comandante da operação de Minneapolis, Gregory Bovino. A ameaça de democratas de não aprovar o orçamento federal com verba extra para o Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pelo ICE, e obrigar uma nova paralisação também foi determinante para a mudança de tom.
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