Com os trabalhos reduzidos por conta das eleições deste ano, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) pretende focar no esquema financeiro envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. A avaliação é do vice-presidente da Casa, deputado Ricardo Vale (PT). Ao Brasil de Fato DF, o distrital analisa que o caso deve ser tema central pelo menos no primeiro semestre legislativo. Os deputados também devem votar projetos de lei que estão aguardando aprovação na Casa. Nos primeiro mês de 2026, já foram apresentadas 30 proposições tratando dos mais diversos assuntos. “Esse é um ano de eleições. Então, geralmente, a Câmara foca muito mais nos projetos dos deputados. Acaba que as sessões aqui diminuem um pouco. É um ano atípico, mas essa Câmara trabalhou muito. Mas nós temos dois problemas muito sérios no Distrito Federal que vão praticamente ocupar no mínimo até o primeiro semestre, que é a questão do BRB-Master e a própria situação fiscal do GDF”, afirma. Em 2025, o Governo do Distrito Federal (GDF) fechou o ano com um déficit de R$1 bilhão. Apesar das contas apertadas, o governador Ibaneis Rocha (MDB) reforçou que há condições financeiras suficientes para socorrer o BRB sem comprometer o orçamento público. O GDF deve enviar ao CLDF uma proposta para retirar cerca de R$3 bilhões das contas públicas para aportar no BRB, a pedido do Banco Central. CPI e Impeachment Desde a revelação do esquema fraudulento envolvendo o Master, o cerco para Ibaneis tem se fechado. Isso porque o governador foi um dos principais entusiastas na compra da instituição privada pelo BRB. A situação tensionou ainda mais com o depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Master, no qual ele afirma ter encontrado Ibaneis algumas vezes e conversado sobre a transação financeira. No entanto, o chefe do Executivo negou que tenha tratado sobre a compra e disse que a responsabilidade se restringia a Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB. Após as declarações de Vorcaro, a oposição soma esforços para emplacar um impeachment e instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na CLDF. Para o deputado Ricardo Vale, existe a possibilidade da CPI ser instaurada. Já a destituição do governador não deve avançar. “Dependendo do avanço das investigações, as coisas vêm à tona, pode ser que um ou outro deputado ali resolva romper com o governo e assinar [a CPI]. Com relação aos impeachments, eu acredito que não anda por enquanto, a não ser que também apareçam novos fatos”, pontua. Há a expectativa de uma CPI também no Congresso Nacional. Enquanto uma deve se ater a teia política que liga Vorcaro e o Master aos Três Poderes, na CLDF o foco será as implicações da fraude no BRB e as relações com Ibaneis. Relações estremecidas A retomada dos trabalhos legislativos na CLDF na terça-feira (3) foi marcada pela ausência de representantes do GDF e de deputados da base governista que não se manifestaram durante a sessão. A situação chamou atenção dos parlamentares. A oposição questionou o não comparecimento e destacou a falta de posicionamento dos distritais. Segundo Ricardo Vale, a relação entre a base governista e o governo não é das melhores. “A relação nunca foi boa, principalmente em relatos dos parlamentares da base. Eles falam que o governador tem uma relação muito difícil com eles, que ele escuta muito pouco. Nós estamos voltando agora de uma situação muito complexa. Nenhum deles teve coragem de fazer a defesa do governo. Fiquei um pouco impressionado com essa falta de apoio ao governador. Portanto, precisamos avaliar nos próximos dias se isso é solidariedade ao governo ou se começou uma análise de que eles não vão mais além disso”, avalia. Unidade progressista Para enfrentar o atual governo nas eleições, o campo progressista estuda unificar candidaturas na disputa ao Palácio do Buriti. O PT lançou Leandro Grass, enquanto o PSB aposta em Ricardo Cappelli. Na atuação como vice-presidente do PT, Ricardo Vale disse que articula a formação de aliança com os demais partidos para um combate incisivo da oposição. “O Leandro, até o momento, tem conseguido juntar um leque de partidos maior do que o Ricardo Cappelli. Acho que a gente precisa continuar conversando e tentar convencer o PSB a vir se somar nessa aliança, unificar. Respeitamos a decisão do PSB de lançar o Capelli, mas seria muito bom que a gente se juntasse. E eu estou trabalhando muito para isso. Primeiro dentro do PT e agora juntamente com os partidos de centro-esquerda aqui no Distrito Federal”, afirma. :: Clique aqui para receber notícias do Brasil de Fato DF no seu Whatsapp ::
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