SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido e o Canadá criticaram a condenação de Jimmy Lai, 78, magnata da mídia pró-democracia em Hong Kong, a 20 anos de prisão “A decisão do Tribunal Superior de Hong Kong de condenar Jimmy Lai a 20 anos é um desfecho injusto e trágico para este caso”, afirmou Marco Rubio, secretário de Estado do governo Donald Trump, em comunicado. “Isso demonstra ao mundo que Pequim está disposta a ir a extremos para silenciar aqueles que defendem as liberdades fundamentais”, acrescentou Rubio, que pediu também que Lai seja colocado em “liberdade condicional humanitária”. O magnata teve o mais longo julgamento já registrado sob a Lei de Segurança Nacional, imposta pela China em 2020. O empresário foi sentenciado com base na acusação de sedição, além de conluio com forças estrangeiras, crime que prevê prisão perpétua como pena máxima. Lai é fundador e dono do jornal pró-democracia Apple Daily, que encerrou suas atividades em 2021 após uma ofensiva das autoridades. A União Europeia criticou a decisão nesta segunda-feira (9), chamando-a de perseguição politicamente motivada e afirmando que ela prejudica a reputação de Hong Kong. “A UE pede às autoridades de Hong Kong que restaurem a confiança na liberdade de imprensa em Hong Kong, um dos pilares de seu sucesso histórico como centro financeiro internacional, e que parem de processar jornalistas”, afirmou o departamento de política externa da UE em comunicado. A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, afirmou nesta segunda-feira (9) que o país está decepcionado com a condenação e reforçou o coro de uma libertação imediata por razões humanitárias. A China reagiu, dizendo que Lai “merecia ser severamente punido de acordo com a lei”, segundo Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Jian afirmou que os órgãos judiciais de Hong Kong cumpriram suas funções. A chanceler britânica Yvette Cooper afirmou que a sentença é efetivamente uma pena de prisão perpétua. “As autoridades de Hong Kong devem encerrar a terrível provação de Jimmy Lai e libertá-lo para que possa estar com sua família”, escreveu na rede social X. O magnata tem cidadania britânica, e seu filho apelou ao governo trabalhista de Keir Starmer que faça “muito mais” para garantir a libertação de seu pai idoso. “Muito mais precisa ser feito e rapidamente porque, se não, ele vai morrer na prisão”, disse Sebastien Lai, também cidadão britânico, à agência de notícias Reuters em Londres. Ele criticou os esforços do primeiro-ministro Keir Starmer para restabelecer as relações de Londres com Pequim e disse que foi um erro Starmer visitar a China no mês passado sem antes exigir que seu pai fosse libertado da prisão. “Eu gostaria que o primeiro-ministro fizesse mais”, disse ele. “Não estamos pedindo o mundo. Isso não é algo difícil para eles fazerem.”
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