A Justiça da França divulgou nesta terça-feira (10) o nome de um homem de 79 anos detido sob a acusação de estupro e agressão sexual contra 89 adolescentes. Os crimes teriam ocorrido de 1967 a 2022 em vários países. A iniciativa das autoridades é uma tentativa de identificar outras vítimas. As supostas agressões do réu, Jacques Leveugle, teriam ocorrido em Colômbia, Alemanha, Suíça, Marrocos, Níger, Argélia, Filipinas e Índia, assim como no sudoeste da França e em Nova Caledônia, território francês no Oceano Pacífico. “Ele percorreu diferentes países e, em cada um desses lugares onde se instalava para oferecer apoio escolar, sendo professor, conheceu jovens e teve relações sexuais com esses jovens”, afirmou em entrevista coletiva o procurador que revelou o caso, Étienne Manteaux. Segundo a autoridade da comuna de Grenoble, o sobrinho do acusado encontrou em um pendrive textos do tio nos quais ele relatava “relações sexuais” com adolescentes de 13 a 17 anos. A análise do pendrive, que o sobrinho encontrou quando se questionava sobre “a vida afetiva e sexual” do tio, e que teria “15 volumes”, permitiu estabelecer o número de 89 menores de idade agredidos, acrescentou Manteaux. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo “Pensávamos que conseguiríamos identificar todas as vítimas, mas percebemos que estávamos batendo em um muro”, disse o procurador, ao destacar que algumas aparecem apenas pelo primeiro nome. O objetivo, afirmou, é que outras possíveis vítimas se apresentem no âmbito do apelo às testemunhas. O homem, detido em 2024, também indicou em suas memórias que matou “voluntariamente duas pessoas”, explicou o representante do Ministério Público. Durante a investigação, ele admitiu ter asfixiado com um travesseiro a mãe, doente de câncer em fase terminal, na década de 1970, e a tia, de 92 anos, na década de 1990, acrescentou Manteaux. O acusado teria afirmado que matou a tia quando pretendia viajar ao sul da França porque a mulher “suplicava que não partisse”. Casos do tipo tornaram-se uma preocupação da opinião pública francesa depois de uma série de escândalos. Na semana passada, a Procuradoria da República confirmou que dez homens foram indiciados em Lille, no norte da França, por drogarem e estuprarem um menino de cinco anos durante uma festa. O caso, com a suposta participação do próprio pai da criança, chocou os franceses. Outro caso é o da aposentada Gisèle Pelicot, estuprada por dezenas de homens ao longo de uma década com a cumplicidade do marido, que a drogava. Em 2024, ele foi condenado a 20 anos de prisão, e outros 50 homens, a penas de 3 a 13 anos. Além disso, há duas semanas, o senador francês Joël Guerriau foi condenado a quatro anos de prisão por ter tentado drogar a deputada Sandrine Josso quando os dois estavam a sós no apartamento dele em Paris. O inquérito comprovou que ele colocou ecstasy em uma taça de champanhe que ofereceu à deputada. Josso começou a sentir-se mal, mas conseguiu sair do apartamento e ir para um hospital. Ele está recorrendo em liberdade.
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