ISABELLA MENONWASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – Em um revés para o governo Trump, a juíza Cynthia Rufe proibiu, em caráter liminar, a censura de uma exposição localizada no Parque Histórico Nacional da Independência, na Filadélfia. A mostra, instalada em 2010 na Casa do Presidente, contava a história de nove pessoas que foram escravizadas. A Casa do Presidente foi uma residência oficial dos EUA, onde os presidentes George Washington e John Adams viveram e trabalharam durante seus mandatos.De acordo com a decisão, o governo usou como base um decreto de março do ano passado que combate o chamado “revisionismo histórico”. Nela, afirma que existia um esforço coletivo para reescrever a história da nação, substituindo fatos objetivos por uma “narrativa distorcida impulsionada pela ideologia”. O decreto diz que exposições não deveriam conter conteúdos que depreciam americanos do passado ou do presente, mas sim destaquem “grandeza, progresso e realizações do povo americano”. Segundo essa determinação, as exposições minavam as conquistas dos EUA ao apresentar princípios sob uma “luz negativa”. A juíza do caso citou a obra “1984”, de George Orwell, para sustentar a liminar e comparou a situação ao conceito orwelliano de revisão histórica. A obra apresenta uma sociedade sob um governo totalitário, cuja informação é manipulada e é massivamente vigiada. Na decisão, Rufe conclui que, ao remover os 34 painéis da mostra, o governo agiu como se a verdade não fosse mais evidente, mas sim uma propriedade dos governantes para ser “escondida ou sobrescrita”. Ela compara a atuação governamental ao Ministério da Verdade, instituição presente no livro de Orwell, que se encarregava de estabelecer o que é falso e o que é verdadeiro, e ao Departamento de Registros, que destruía documentos para reescrevê-los conforme a conveniência política. Também usou o termo “Big Brother” para contestar a premissa de o governo escolher sozinho qual mensagem transmitir à sociedade.
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