A ministra do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez Torres, disse neste domingo (22) que vê a Amazônia em risco caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil, e o candidato apoiado por Gustavo Petro, na Colômbia, percam as eleições presidenciais. Em entrevista exclusiva para o Brasil de Fato, a ministra afirmou que “mudanças de governos podem afetar essa convicção” de proteger a Amazônia. A floresta se estende por territórios da Bolívia, do Brasil, da Colômbia, do Equador, da Guiana, do Peru, do Suriname, da Venezuela e do território ultramarino da Guiana Francesa. “Ficou muito claro que apenas os governos progressistas têm interesse em proteger o bioma amazônico”, disse a titular da pasta que esteve em Cartagena para participar da abertura do Fórum dos Povos e Movimentos Sociais, evento que antecede a Conferência Internacional sobre Reforma Agrária (Icarrd+20). “Eu acho que o maior risco que corremos se as políticas de governos desses países mudarem é que se faça coro a um extrativismo, particularmente petroleiro, que possa vulnerabilizar o bioma amazônico”, disse. A Colômbia tem eleições marcadas para o dia 8 de março, as quais devem renovar não só o Executivo, mas também o Congresso do país. Ex-guerrilheiro, o atual mandatário Gustavo Petro não pode concorrer a um novo mandato, por isso apoia o ex-senador Iván Cepeda, que desponta como favorito em muitas pesquisas. Já no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve concorrer à reeleição, podendo alcançar uma marca inédita de quatro mandatos presidenciais não consecutivos. Lula e Petro chegaram a apresentar divergências no tema ambiental, principalmente sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, projeto que hoje é levado a cabo pela Petrobras, ainda em fase de estudos. Ao BdF, a ministra não negou a discordância. “Inclusive dentro do progressismo temos diferenças internas e entre países sobre como fazer isso [proteger a Amazônia] de maneira eficiente.” No entanto, ela acredita que o mais importante é que siga havendo uma aliança latino-americana para a proteção dos ecossistemas. “E também [uma aliança] nos termos de como lutamos juntos pela eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, que, de todas as formas, é o que pressiona todos os ecossistemas.” Pressão popular Vélez Torres ainda destacou que mobilizações populares têm força para barrar projetos de extração de combustíveis, citando o caso do Parque Nacional Yasuni, no Equador. Em 2023, 59% dos equatorianos decidiram, em consulta pública, interromper qualquer extração de petróleo no local que, além de possuir aproximadamente uma reserva de 720 milhões de barris de petróleo, possui uma das mais ricas biodiversidades da Amazônia equatoriana. “Há uma série de possíveis projetos que poderiam gerar esse impacto, no entanto, eu acho que as mobilizações cidadãs foram exemplares para freá-los. Parece-me particularmente relevante toda a interrupção do extrativismo petroleiro no Yasuni, no Equador, e acho que as decisões que estamos tomando no governo colombiano, de criar a reserva de recursos naturais do bioma amazônico, detém essa pressão”, disse. Venezuela deve diversificar A ministra comentou sobre o caso da Venezuela, país vizinho que compartilha extensa fronteira territorial com a Colômbia. Após o ataque militar ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 3 de janeiro, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, a Venezuela e os Estados Unidos iniciaram um processo de contatos políticos, diplomáticos e econômicos que visam, sobretudo, reativar o comércio petroleiro. Atualmente, a Venezuela, país que possui as maiores reservas de petróleo do mundo, produz cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia, mas em tempos de investimento estatal amplo e sem estar sancionada pelos Estados Unidos, o país chegou a produzir mais de 3 milhões de barris diários. Desde que atacou o país sul-americano, Trump não nega que o principal interesse é o petróleo. O republicano chegou a se reunir com as principais empresas petroleiras dos EUA na Casa Branca para discutir como investir e participar da exploração de combustíveis em solo venezuelano. Tudo isso culminou com a reabertura da embaixada dos Estados Unidos em Caracas e a visita do secretário de energia de Trump, Chris Wright, a Caracas para se reunir com a presidenta interina, Delcy Rodríguez, e visitar plantas de produção mista que a estatal petroleira venezuelana PDVSA mantém com a estadunidense Chevron. Para a ministra colombiana, “a Venezuela foi historicamente um país que não conseguiu superar o extrativismo e a dependência da exploração de combustíveis”, mas que deveria agora olhar para uma diversificação da economia. “Algo exemplar que Hugo Chávez fez quando foi presidente foi a socialização dos recursos que eram arrecadados a partir da exploração do petróleo. Mas nunca houve uma diversificação produtiva e econômica que lhes permitisse a superação da dependência econômica do petróleo, mas eu acho que chegou o momento de olhar nessa direção”, afirmou. Vélez Torres também lembrou que o país vizinho “está há muito tempo bloqueado” e que se trata de “um bloqueio econômico que custou muito, sobretudo, ao povo venezuelano”. No entanto, a ministra de Petro acredita que, “nesse momento, em que possivelmente suas possibilidades comerciais serão reconstruídas, eles deveriam não somente olhar para a reativação da economia petroleira – o que é óbvio, até mesmo pelos interesses dos Estados Unidos – mas também para a sua diversificação, finalmente”. “Acho que é uma dívida que o governo tem com seu próprio povo e, claro, com as territorialidades e todos os ecossistemas que se veem pressionados desta forma”, disse a ministra.
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