O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou por telefone com o premiê da Espanha, Pedro Sánchez, na tarde desta quarta-feira (4). Na conversa, ambos defenderam o fim da guerra no Irã e a retomada das negociações de paz sob o amparo do direito internacional. O diálogo entre os dois ocorre logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar romper a relação comercial com Madri. A declaração do republicano foi uma resposta à decisão do país europeu de recusar a permissão para militares americanos usarem suas bases para missões ligadas a ataques ao Irã. O país do Oriente Médio foi bombardeado pelos Estados Unidos e Israel no último sábado (28), conflito que já provocou mais de 700 mortes na região. Também nesta quarta, o primeiro-ministro espanhol afirmou que a posição de seu governo se resumia em três palavras: “Não à guerra”. Uma das principais lideranças de centro-esquerda na Europa, Sánchez é um dos críticos mais ferrenhos tanto de Trump quanto do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu. A posição do líder espanhol vai na contramão de outros países da Europa, como Alemanha, que prestaram apoio militar aos EUA. Na ligação desta quarta, Lula aceitou o convite para visitar a Espanha no próximo dia 17 de abril. O brasileiro também confirmou participação na quarta reunião de alto nível da iniciativa “Em Defesa da Democracia”, no dia 18 de abril, em Barcelona. “Lula e Sánchez reiteraram seu compromisso com o multilateralismo como caminho para construção da paz e do desenvolvimento sustentável de que o mundo tanto precisa”, finaliza a nota do governo brasileiro. A última visita de Sánchez ao Brasil foi em março de 2024. Os dois líderes voltaram a se encontrar na Assembleia-Geral a ONU de 2025, onde organizaram um evento chamado “Em defesa da democracia, combatendo o extremismo”. Na ocasião, o brasileiro destacou que os princípios democráticos corriam risco em todo mundo e que o avanço da extrema direita era fruto de uma crise profunda na democracia. Além das centenas de mortes, o conflito já deixou um rastro de destruição por diversos países do Oriente Médio, além do fechamento do estreito de Hormuz, importante rota comercial de petróleo, e a morte do líder iraniano Ali Khamenei.
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