Dez anos após a última paralisação, os professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro entraram oficialmente em greve. A decisão ocorreu após assembleia da Associação dos Docentes da UERJ, realizada nesta quarta-feira (25). A categoria reivindica, principalmente, o pagamento de duas parcelas da recomposição salarial prevista em lei e acordada em 2021; o retorno dos triênios e a incidência destes no salário total; além da recomposição orçamentária da universidade. O presidente da Associação, Gregory Magalhães, explica que em 2018, com a criação da chamada Lei da Dedicação Exclusiva da UERJ, os professores perderam uma porcentagem dos seus benefícios. “Essa lei estabeleceu que os benefícios incidiriam só no salário base e não no nosso salário total, de modo que a gente perde 40% do que deveria receber dos nossos benefícios. Os descontos, o IRPF, o Rio Previdência incidem no nosso salário total. Então, a gente paga os descontos no valor total e recebe apenas 60% dos nossos benefícios”. Em 2021, foram criadas duas leis que também afetaram os docentes. A primeira acabou com os triênios. A segunda lei parcelou o pagamento da recomposição salarial referente aos IPCAs dos anos 2017 e 2021 em três vezes. Gregory Magalhães afirma que os docentes pediram várias vezes reuniões com o governo do estado para negociar as condições de trabalho, mas não foram atendidos. “Há cinco anos oficiamos o governo do estado do Rio de Janeiro para nos receber na mesa de negociação. Nunca fomos respondidos. A única resposta da chefia de gabinete do governador foi que ia tentar agendar a reunião, mas nunca foi agendada”. Segundo ele, a renúncia ao cargo e condenação do ex-governador Cláudio Castro ao longo dessa semana, e a ausência de um representante definitivo são obstáculos aos grevistas. Em nota, a reitoria da UERJ afirma que segue buscando o diálogo com os diferentes setores, na tentativa de encontrar soluções que assegurem as condições para seu pleno funcionamento. Também em nota, o governo do estado afirmou que está trabalhando para implementar políticas de valorização do funcionalismo, de modo a equilibrar despesas e receitas. Lembra, ainda, que o Rio de Janeiro está sob as regras do Regime de Recuperação Fiscal, com um cenário ainda desafiador em relação ao equilíbrio das contas públicas. *Sob supervisão de Vitória Elizabeth.
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