O Paquistão e o Afeganistão realizam negociações na China para tentar acabar com o conflito entre os dois países, informaram à agência de notícias AFP nesta quarta-feira (1º) dois funcionários do governo de Islamabad. Os dois países travam confrontos há meses, que piorou com ataques mais intensos e a declaração pelo Paquistão de que estava em “guerra aberta” com o regime do Talibã afegão, em fevereiro. Islamabad afirma que o vizinho abriga combatentes do movimento Talibã paquistanês (TTP, ou Tehreek-e-Taliban Pakistan), que reivindicou ataques em seu território, mas o Talibã afegão nega. A reunião entre as partes, na cidade chinesa de Urumqi, na região de Xinjiang, no noroeste do país, ocorre depois que o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, viajou na terça-feira (31) a Pequim para uma reunião com o chefe da diplomacia do país asiático, Wang Yi. Os dois discutiram o papel de Islamabad na tentativa de levar Estados Unidos e Irã à mesa de negociações e estabeleceram um plano conjunto de cinco pontos para acabar com a guerra Paquistão-Afeganistão. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Um funcionário das forças de segurança paquistanesas afirmou à AFP que “uma delegação liderada por um funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão está em Urumqi para manter conversações com o Talibão afegão. A reunião acontece a pedido dos nossos amigos chineses”, acrescentou. Um segundo funcionário confirmou as negociações e acrescentou que o encontro “tem como objetivo estabelecer as bases para um diálogo”. Entenda o conflito Durante décadas, o Paquistão foi o aliado mais próximo do Talibã. Islamabad ajudou a dar origem ao grupo, no início dos anos 1990, como forma de garantir um aliado estratégico na sua longa rivalidade com a Índia. O Paquistão celebrou a volta do Talibã ao poder, em 2021. À época, o então premiê Imran Khan afirmou que os afegãos haviam “quebrado as correntes da escravidão”. Mas Islamabad logo descobriu que o Talibã não era tão cooperativo quanto esperava. A crise tem sua origem no TTP, uma facção acusada por Islamabad também de realizar ataques terroristas na região do Waziristão. O TTP busca combater o Estado paquistanês e impor a lei islâmica sobre o território, criando uma teocracia no país. O Waziristão é conhecido por ser refúgio de vários grupos islâmicos radicais que atuam tanto no Paquistão quanto no Afeganistão. Islamabad também acusa insurgentes que defendem a independência da província do Baluchistão, no sudoeste paquistanês, de usar o território afegão como refúgio. Desde 2022, os ataques atribuídos ao TTP e a insurgentes balúchis vêm aumentando a cada ano, segundo a organização Armed Conflict Location & Event Data, que monitora conflitos no mundo. Cabul nega permitir que terroristas utilizem seu território para lançar ataques contra o Paquistão. O Talibã, por sua vez, acusa Islamabad de abrigar combatentes do Estado Islâmico —acusação rejeitada pelo governo paquistanês. Islamabad diz que o cessar-fogo não durou muito devido aos contínuos ataques em solo paquistanês atribuídos a grupos baseados no Afeganistão. Desde então, confrontos e fechamentos de fronteira têm se repetido, prejudicando o comércio e a circulação ao longo da região montanhosa.
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