O Palácio do Planalto nega que o governo brasileiro tenha recebido qualquer pedido de asilo político para funcionários do governo venezuelano. Desde a última terça-feira (31), tem circulado nas redes sociais e em meios de comunicação latino-americanos a informação de que autoridades venezuelanas e estadunidenses estariam negociando o acolhimento no Brasil do atual ministro da Justiça e homem forte da cúpula chavista, Diosado Cabello. A avaliação de fontes do Planalto é de que a informação pode ter sido “plantada” por grupos opositores, interessados em desgastar Cabello, que é sancionado pelo governo estadunidense por ser considerado um dos personagens mais fiéis à Revolução Bolivariana. Por outro lado, a diplomacia brasileira avalia que, caso um pedido nesse sentido chegue ao governo brasileiro e tenha o respaldo do governo interino de Delcy Rodríguez, o país deve analisá-lo, assim como fez em outros casos ao longo da história, mantendo uma tradição da diplomacia brasileira. Venezuela retorna ao cenário multilateral latino-americano O governo do Paraguai chegou a consultar a diplomacia brasileira sobre a possibilidade de convidar o governo de Delcy Rodríguez para a próxima Cúpula do Mercosul. Diplomatas brasileiros apostam que essa seria uma estratégia para exercer pressão sobre o governo da Venezuela para que realizem eleições no mais breve tempo possível. “Falta combinar com o Trump”, disse uma fonte ao Brasil de Fato. Isso porque segundo a avaliação do governo brasileiro, não é de interesse do governo estadunidense a realização de eleições no momento, já que qualquer mudança de cenário neste momento poderia representar um aumento da instabilidade política interna. Para o professor especialista em economia de petróleo e ex-assessor do Banco Central (BC) da Venezuela, Carlos Mendoza Potellá, qualquer grande mudança no cenário atual contraria os interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos na região. “Trump faz uma política de conveniência pessoal para seus negócios e não como um estrategista tratando uma nação como outra. Se ele [Trump] puder manter as rédeas com alguém como Delcy [Rodríguez] que cumpra os interesses norte americanos de acesso ao ouro e ao petróleo, ele o fará”, analisa o Potellá.
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