Mural com a palavra “bloqueio” aparece diante de tanques de armazenamento de combustível na zona industrial de Matanzas, em Cuba, em 31 de março de 2026. | Crédito: Yamil Lage/AFP O governo de Cuba agradeceu, nesta sexta-feira (3), o apoio internacional recebido em meio ao agravamento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Em mensagem publicada nas redes sociais, o chanceler Bruno Rodríguez reconheceu a solidariedade de governos e povos que enviaram ajuda material à ilha diante do que classificou como um cerco energético responsável por danos à população cubana. “A solidariedade não pode ser bloqueada e demonstra seu valor frente à política genocida estadunidense”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, ao comentar a chegada de doações e iniciativas de apoio vindas de diferentes países. Nos últimos dias, o governo cubano tem reiterado o impacto direto das restrições impostas por Washington sobre o abastecimento de energia e bens essenciais. Segundo Rodríguez, as medidas adotadas pelos Estados Unidos têm provocado dificuldades concretas no cotidiano da população, especialmente em áreas sensíveis como saúde e alimentação. Agradecemos a los Gobiernos y pueblos que han enviado ayuda material a #Cuba, en medio del cerco energético impuesto por el gobierno de #EEUU que provoca duros daños al pueblo cubano.La solidaridad no puede ser bloqueada y demuestra su valía frente a la política genocida… pic.twitter.com/YOxXJCB7iy— Bruno Rodríguez P (@BrunoRguezP) April 3, 2026 Na quarta-feira (1º), o chanceler também destacou o envio de combustível da Rússia à ilha, em meio às restrições energéticas. “Cuba agradece o gesto solidário da Rússia de enviar um carregamento de combustível em circunstâncias tão difíceis para o povo cubano”, afirmou. Ele ressaltou ainda que a iniciativa reafirma o direito de Moscou de exportar seus recursos e de Havana de importá-los, além de evidenciar as relações históricas entre os dois países. O petroleiro russo Anatoly Kolodkin navega próximo ao navio-tanque cubano Vilma, na entrada do porto de Matanzas, no noroeste de Cuba, em 31 de março de 2026. (Foto: Stringer/AFP) Democratas pressionam por mudança de rumo No mesmo dia, um grupo de legisladores democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao presidente Donald Trump pedindo a retomada do diálogo diplomático com Cuba e criticando a ampliação do bloqueio econômico contra a ilha. O documento, assinado pelo congressista Gregory Meeks e pelo senador Tim Kaine, afirma que a tentativa de forçar uma mudança política em Cuba não teve sucesso após mais de seis décadas de sanções. Para os parlamentares, a estratégia adotada por Washington se mostrou ineficaz e tem contribuído para o agravamento da crise humanitária no país. — House Foreign Affairs Committee Dems (@HouseForeign) April 2, 2026 Na carta, os legisladores apontam dificuldades enfrentadas pela população cubana, como os apagões recorrentes provocados pela escassez de combustível e o acesso limitado a insumos médicos e serviços de saúde. Segundo o texto, os setores mais vulneráveis são os mais afetados pela situação. “As condições em Cuba estão se deteriorando rapidamente. Os mais vulneráveis estão suportando o peso maior. (…) As pessoas morrerão se o rumo não for revertido imediatamente”, afirmam os congressistas no documento enviado à Casa Branca. Ao todo, 52 parlamentares apoiaram a iniciativa, que também alerta para os custos e riscos de uma política de pressão contínua sem resultados concretos. O grupo defende a retomada de canais diplomáticos como alternativa para lidar com as diferenças entre os dois países. Bloqueio se intensifica e amplia impactos Em vigor desde 1962, o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra Cuba foi intensificado recentemente por novas medidas adotadas pelo governo Trump, que atingem especialmente o setor energético. No dia 29 de janeiro, uma ordem executiva autorizou a imposição de tarifas a países que exportem petróleo para a ilha, ampliando a pressão sobre o abastecimento de combustível. A medida se soma a outras restrições que afetam diretamente a capacidade de Cuba de importar bens essenciais e manter serviços básicos. Segundo autoridades cubanas e organismos internacionais, a escassez de combustível se tornou um dos principais fatores de agravamento da crise, impactando o sistema elétrico e ampliando os riscos humanitários. Nesse cenário, iniciativas de solidariedade internacional e o envio de ajuda material têm ganhado centralidade como resposta às dificuldades enfrentadas pela população. *Com informações da Telesur.
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