A Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e os Conselhos Federais de Medicina, Odontologia e Farmácia assinaram uma carta de intenção para reforçar o uso seguro e consciente dos medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. Esses produtos fazem parte de uma classe chamada “agonistas”, do receptor GLP-1 e têm indicação original para o tratamento de doenças crônicas, como diabetes e obesidade. Segundo a Anvisa, a proposta é evitar riscos à saúde pública, além de coibir práticas irregulares que envolvem desde a importação até o uso desses medicamentos. Em nota, a agência explicou que a atuação será conjunta, com troca de informações, alinhamento técnico e ações educativas, voltadas tanto para profissionais de saúde quanto para a população em geral. Essa iniciativa integra um plano anunciado no último dia 6 para combater irregularidades no mercado de canetas emagrecedoras. Entre as medidas estão: o estímulo à prescrição responsável, o reforço na notificação de efeitos adversos e campanhas de orientação. A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Karen de Marca, reconhece a dificuldade no controle do acesso a essas medicações e faz um alerta. “O uso está indiscriminado. As pessoas acabam não indo ao médico e adquirindo essas medicações. Elas são oferecidas na internet e essas fontes são duvidosas. Quanto mais se utiliza esse medicamento, sem indicação para emagrecer você acaba tendo mais efeitos adversos. É uma complicação já prevista. Inclusive essas medicações só podem ser compradas com a prescrição médica”. A Anvisa também alertou que o aumento na procura por esses medicamentos é acompanhado de problemas sérios, como importação ilegal, manipulação inadequada, prescrição sem critério e venda irregular, situações que podem expor pacientes a riscos evitáveis. Karen de Marca enumera casos em que o uso das canetas emagrecedoras apresenta alto risco à saúde. “Para o câncer medular de tireoide é contraindicado o uso, pacientes que tiveram pancreatite não devem utilizar a medicação. Pacientes que demonstraram uma intolerância ao uso do medicamento, com quadros gastrointestinais mais complexos tendem a responder de forma pior a esse remédio”. Ainda esta semana devem ser criados dois grupos de trabalho: um com função estratégica de acompanhamento do plano e outro voltado à discussão técnica, formado por representantes dos conselhos profissionais. A Anvisa reforça: essas canetas só devem ser usadas com prescrição médica e acompanhamento profissional. *Com informações da Agência Brasil
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