A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (30) um aumento de 26% do chamado “ingresso mínimo integral”, elevando-o de US$ 190 (cerca de R$ 947) para US$ 240 (R$ 1.197). Esse é o primeiro ajuste desde a queda do ditador Nicolás Maduro em janeiro. O anúncio ocorre em meio a protestos de trabalhadores que pedem salários mais altos para enfrentar a inflação de três dígitos. O ingresso mínimo consiste em um esquema de bonificações, além do salário mínimo, que está em 130 bolívares (R$ 1,39). O regime recorre a bônus para melhorar a renda dos trabalhadores que recebem o salário mínimo mais baixo da América Latina, congelado há quatro anos. “Quando vejo trabalhadores protestando, penso: ‘Eles têm razão’. Queremos melhores salários e restaurar o que os salários devem representar. Este é o primeiro passo para garantir o poder de compra no país”, disse Delcy durante marcha pelo fim das sanções dos Estados Unidos. Ela não detalhou quanto dos US$ 240 virá do salário base e quanto corresponderá a bônus. Delcy afirmou ainda que aposentados receberão pensões equivalentes a US$ 70 (R$ 349), um aumento de 40%. “Não é suficiente”, disse, acrescentando que novas medidas para idosos serão avaliadas. A inflação anual atingiu 649% em março, segundo dados do Banco Central. O último aumento do salário base e da tabela salarial para trabalhadores do setor público ocorreu em março de 2022. Enquanto isso, a desvalorização da moeda local, o bolívar, elevou o custo dos bônus para cerca de US$ 400 milhões em abril, contra aproximadamente US$ 250 milhões em dezembro, segundo consultorias econômicas em Caracas. Após a operação dos EUA que capturou Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em janeiro, aliados do regime em vários estados disseram que alguns bônus deixaram de ser pagos, o que ajudou a aumentar o descontentamento e até provocar deserções no partido. O governo de Donald Trump tem trabalhado com a sucessora do ditador e está buscando expandir a presença dos EUA nos setores de petróleo e mineração da Venezuela. Protestos de trabalhadores em setores como educação, saúde e serviços públicos tornaram-se mais frequentes desde a captura de Maduro. Uma marcha sindical planejada em Caracas para exigir melhores salários foi impedida de ocorrer nesta quinta-feira devido à presença policial e às multidões que participavam da manifestação organizada pelo regime. O setor público emprega mais de 3 milhões de pessoas, enquanto o número de pensionistas gira em torno de 5 milhões, segundo dados oficiais. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
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