SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governo de Israel anunciou nesta quinta-feira (21) que deportou todos os ativistas estrangeiros que integravam uma flotilha com destino à Faixa de Gaza e foram interceptados pelas forças de Tel Aviv no mar Mediterrâneo. A libertação dos detidos ocorre um dia após uma avalanche de críticas internacionais, culminando numa crise diplomática, devido à divulgação de um vídeo pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, o extremista Itamar Ben-Gvir, que mostrava os ativistas detidos com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão enquanto o hino nacional israelense era reproduzido em volume alto. As reações, inclusive, continuaram nesta quinta. O Reino Unido convocou o encarregado de negócios de Israel para prestar esclarecimentos, num gesto que é considerado uma reprimenda diplomática. O Ministério das Relações Exteriores disse que o vídeo “viola os padrões mais básicos de respeito e dignidade”. Na Polônia, o chanceler Radoslaw Sikorski pediu que Ben-Gvir seja proibido de entrar no país. Já o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, defendeu que a União Europeia deveria discutir sanções ao ministro israelense. Até mesmo Estados Unidos, aliado de Tel Aviv, criticaram o episódio. O embaixador americano Mike Huckabee disse que, apesar da flotilha ser uma “ação estúpida”, Ben-Gvir “traiu a dignidade” de Israel pela forma como agiu. No dia anteriores, outros governos, incluindo França, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Itália, Irlanda e Turquia também criticaram o tratamento dispensado aos ativistas detidos. Os cerca de 430 integrantes da flotilha foram retirados de suas embarcações e ficaram detidos em Israel antes da deportação. Quatro brasileiros estão no grupo: Beatriz Moreira, militante do Movimento de Atingido por Barragens; Ariadne Teles, advogada de direitos humanos e coordenadora da Global Sumud Brasil; Thainara Rogério, desenvolvedora de software; e Cássio Pelegrini, médico pediatra. Segundo organizadores da flotilha no Brasil, a expectativa é que eles cheguem na Turquia ainda nesta quinta. Ainda de acordo com organizadores da flotilha, os ativistas foram deportados no Aeroporto Ramon, no sul de Israel. Em um comunicado, o grupo jurídico Adalah acrescentou que os membros da iniciativa haviam sido mantidos na prisão de Ktzi’ot, no deserto de Negev, perto da fronteira com o Egito. A Turquia anunciou que enviaria aviões para Israel para repatriar seus cidadãos. A mais recente flotilha era composta por quase 50 barcos e havia partido do sul da Turquia na quinta (14) da semana passada. Os organizadores afirmam que a missão tinha como objetivo levar ajuda humanitária ao território palestino e desafiar o bloqueio naval mantido por Israel. Na segunda (18), os ativistas anunciaram que forças de Israel haviam começado a subir a bordo das embarcações. Vídeos divulgados em seguida mostram militares israelenses disparando contra ao menos dois barcos. Tel Aviv afirmou que suas forças fizeram apenas “disparos de advertência”. Esta foi a terceira tentativa do grupo, em um ano, de alcançar a Faixa de Gaza por via marítima. Missões anteriores também foram interceptadas por Israel em águas internacionais. O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, classificou a iniciativa mais recente de “projeto mal-intencionado”. Leia Também: Calor ‘histórico’ se estende à Europa: “Temperaturas muito altas”
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