Documento seria entregue na quarta-feira (20), mas impasse sobre regra de transição alterou cronograma A semana em Brasília começa com a apresentação do relatório da proposta que trata do fim da escala 6×1, pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator da comissão especial sobre o tema na Câmara dos Deputados. O parecer será entregue nesta segunda-feira (25), após uma rodada de articulações políticas que envolveu reuniões com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), movimentos populares, setores empresariais e integrantes do governo federal. Antes da apresentação do texto, Prates deve se reunir novamente com Motta, que também tem agenda prevista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Palácio do Planalto, ainda nesta segunda. A expectativa, segundo interlocutores envolvidos nas negociações, é de que o encontro sirva para alinhar a condução política da proposta dentro da Câmara. A discussão sobre o fim da escala 6×1 passou a ganhar mais espaço no Congresso após pressão de centrais sindicais e movimentos ligados aos trabalhadores, que defendem a redução da jornada sem corte salarial. O tema também vem sendo tratado pelo governo como uma pauta de apelo popular entre trabalhadores do comércio e do setor de serviços, categorias mais atingidas pelo modelo. No final de semana, diversas cidades registraram manifestações pelo fim da escala 6×1, em apoio às propostas em tramitação no Congresso Nacional. Nos bastidores, aliados do Planalto avaliam que o relatório de Leo Prates deve buscar uma saída negociada para diminuir resistências entre setores empresariais e parlamentares ligados ao mercado. A regra de transição da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1 deve ficar fora do parecer da comissão especial. O ponto será negociado no âmbito do projeto de lei (PL) 1838/2026, enviado em regime de urgência pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional no mês passado. A informação foi confirmada por Prates, em entrevista ao Brasil de Fato, na sexta-feira (22). Segundo o parlamentar, não há consenso entre governo, base aliada e setores empresariais sobre o prazo e o formato da implementação da nova jornada que será definida. “Isso será debatido pelo governo e pelo presidente [da Câmara, o deputado Hugo Motta]”, disse à reportagem ao ser questionado sobre as tratativas do relatório e a transição. A avaliação dentro da comissão é que a PEC deve estabelecer os princípios gerais da mudança na jornada de trabalho, enquanto as regras práticas de implementação — como prazos, setores afetados e possíveis etapas de adaptação — serão definidas no projeto de lei que já está em negociação entre Palácio do Planalto e Câmara dos Deputados.
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