O presidente americano, Donald Trump, afirmou ter obtido garantias do Irã de que não desenvolverá armas nucleares, depois que veículos de imprensa dos Estados Unidos informaram que ele havia endurecido sua proposta de paz com a república islâmica. Entretanto, o principal negociador iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, colocou em dúvida a afirmação do governo americano. Qalibaf disse neste domingo (31) à mídia estatal que não aceitará nenhum acordo que encerre o conflito a menos que haja certeza de que os direitos do povo iraniano estejam garantidos. “Não há confiança nas palavras e promessas do inimigo. Nosso único critério é alcançar resultados tangíveis antes de cumprirmos nossos compromissos em troca”, disse Qalibaf após tomar posse como presidente reeleito do Parlamento junto com sua mesa diretora. O New York Times e o Axios informaram neste sábado (30) que Trump havia enviado ao Irã um novo marco de discussões com condições mais rígidas, embora inicialmente não tenha ficado claro seu conteúdo. Trump afirmou que suas prioridades para qualquer acordo incluem que o Irã se comprometa a não desenvolver armas nucleares e a reabertura do estreito de Hormuz, por onde transitava aproximadamente 20% do suprimento mundial de petróleo antes da guerra. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O Irã insistiu que necessita da liberação de US$ 12 bilhões em recursos congelados antes de avançar em conversas de fundo sobre temas como o programa nuclear. Também garantiu que não tem fundamento os comentários de Trump de que seu urânio enriquecido (um precursor das armas nucleares) foi destruído, segundo a imprensa iraniana. Qualquer mudança na proposta poderia adiar ainda mais um acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio e reabrir o tráfego marítimo pelo estreito de Hormuz, após semanas de negociações realizadas em meio a uma retórica incendiária e ataques ocasionais. O conflito começou quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã no dia 28 de fevereiro. “A garantia que preciso ter é que não haverá uma arma nuclear. Eles aceitaram isso e é muito interessante”, declarou para Lara Trump, sua nora, em uma entrevista transmitida pela Fox News na noite de sábado. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Teerã também reivindica que o Líbano seja incluído em qualquer acordo para terminar a guerra, depois que Beirute acusou Israel de aplicar uma “política de terra arrasada”, por seus ataques contra o território libanês no conflito com o Hezbollah. O Exército israelense anunciou que sua ofensiva contra o Hezbollah no Líbano “se estende a outras zonas”. Fontes americanas disseram à AFP que a proposta de paz com o Irã aguarda a aprovação de Trump, mas o mandatário não tomou uma decisão. “Não tenho pressa”, declarou Trump. “De forma lenta, mas segura, estamos conseguindo, acredito, o que queremos e, se não obtivermos o que queremos, vamos terminar de outra maneira.” Um comentário similar foi feito anteriormente pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, que sustentou no sábado, em uma cúpula de segurança em Singapura, que Washington é “mais que capaz” de reiniciar a guerra se necessário.
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