Rodrigo Paz demitiu o ministro da Defesa, Marcelo Salinas, e a ministra da Educação, Beatriz García © Getty Images SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, demitiu nesta terça-feira (2) o ministro da Defesa, Marcelo Salinas, e a ministra da Educação, Beatriz García, em meio à intensa onda de protestos que paralisa o país andino há semanas. Salinas será substituídio por Ernesto Justiniano, que era chefe do combate ao narcotráfico no país e estava à frente de um órgão diretamente subordinado à Presidência da Bolívia. Ainda não se sabe quem ocupará a pasta de García. No último dia 21, Paz já havia trocado o ministro do Trabalho em uma tentativa de acalmar os manifestantes, que pedem medidas contra a pior crise econômica em quatro décadas no país e que vem rejeitando tentativas do governo de negociar. De acordo com o jornal boliviano El Día, o presidente está sob pressão de líderes empresariais, que pedem uma resposta mais dura contra os manifestantes. Os movimentos de trabalhadores, camponeses, mineiros e professores bloqueiam estradas em sete dos nove estados do país. Eles pedem ainda a renúncia de Paz, presidente de centro-direita cuja vitória nas urnas em outubro de 2025 pôs fim a décadas de domínio da esquerda na política boliviana. Mais de 90 pontos de bloqueio foram registrados nas rodovias do país na segunda (1º), cerca de 30 a mais do que na semana passada, segundo a estatal Administradora Boliviana de Estradas. Essas ações provocaram escassez de alimentos, medicamentos e combustível na capital, La Paz, e na cidade vizinha de El Alto. Os preços da carne, dos ovos e de outros alimentos dobraram nas últimas semanas. A gestão de Paz denuncia uma tentativa de “alterar a ordem democrática” e acusa o ex-presidente Evo Morales, ligado aos sindicatos, de promover as manifestações mais violentas. “Precisamos saber quem está reclamando de forma correta e quem está querendo prejudicar a democracia”, disse Paz em um ato público em Cochabamba, próximo a onde Evo está encastelado, na segunda. O presidente acrescentou que busca uma “reconciliação” para que a onda de protestos acabe nos próximos dias. Evo tem um mandado de prisão contra si em um julgamento em que é acusado de tráfico de uma menor de idade. Ele vive há meses na região cocaleira do Chapare, ao norte de Cochabamba, cercado por milhares de camponeses e apoiadores que montam guarda para evitar uma incursão policial que o prenda. Leia Também: Lula diz que Marco Rubio é ‘anti-América Latina’ e não gosta do Brasil Escolha o Notícias ao Minuto como fonte preferida no Google Receba as nossas notícias com mais destaque sempre que pesquisar no Google.
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