O G7 que se reuniu no Canadá em junho de 2025 cumpriu 80% do que prometeu. O problema está nos 20% restantes —e no que eles revelam sobre os temas em que o grupo mais falha: as dívidas dos países em desenvolvimento e a paz no Oriente Médio. É o que mostra o Relatório Final de Conformidade da Cúpula de Kananaskis, publicado pelo G7 Research Group, organização acadêmica independente vinculada à Universidade de Toronto que desde 1987 rastreia o que os líderes do grupo prometem —e o que de fato fazem. O documento chega às mãos dos líderes exatamente quando eles iniciam sua participação na cúpula de Évian, na França, que começou nesta segunda-feira (15). A avaliação abrangeu 20 dos 148 compromissos assumidos em Kananaskis e cobriu o período de junho de 2025 até junho de 2026. A pontuação média equivale a 80% de conformidade. O número parece razoável até ser colocado em perspectiva: nas duas cúpulas anteriores, o índice chegou a 92% (Apúlia, 2024) e 96% (Hiroshima, 2023). A queda é considerável. Quem se saiu bem —e quem não se saiu A União Europeia liderou o ranking geral com 95% de conformidade, seguida pelo Canadá, anfitrião de 2025, com 93%. O Reino Unido ficou com 90%. A partir daí, os números declinam: Alemanha e Itália empataram em 78%, enquanto França e Estados Unidos registraram 73%. O Japão ficou isolado na última posição, com 65%. O resultado é, no mínimo, constrangedor para a França de Emmanuel Macron, que agora ocupa a presidência rotativa do G7 e recebe os parceiros em Évian. O anfitrião de 2026 chegou ao encontro com a mesma nota de Washington —a mais baixa entre as potências ocidentais. No que o G7 falhou —e no que acertou Alguns compromissos foram cumpridos com nota máxima por todos os membros: tecnologia quântica, biodiversidade, controle de fronteiras para migrantes e infraestrutura de qualidade obtiveram conformidade de 100%. São temas onde há consenso político e onde cumprir é politicamente cômodo. As maiores lacunas apareceram exatamente onde os interesses divergem. No tema da dívida de países em desenvolvimento —talvez o compromisso com consequências mais diretas para o Sul Global—, a conformidade média foi de apenas 56%, uma das mais baixas do relatório. Os Estados Unidos não cumpriram nada. França, Alemanha, Itália, Reino Unido e União Europeia cumpriram apenas parcialmente. Canadá e Japão foram os únicos a atingir nota máxima. O pior resultado de todo o relatório, porém, ficou num tema menos visível: o compromisso de criar mercados de minerais críticos baseados em padrões internacionais teve conformidade de apenas 31%. França, Alemanha e Japão receberam avaliação negativa nesse item —um sinal de alerta para uma agenda que a presidência francesa colocou no centro de Évian. No tema de segurança regional e paz no Oriente Médio, os EUA foram os únicos a receber avaliação negativa. Canadá, França, Alemanha, Itália e União Europeia atingiram conformidade plena nesse quesito; o Japão ficou a meio caminho. O que Évian herda O relatório chega num momento em que o grupo se prepara para novos compromissos em solo francês. A presidência de Macron fez da redução dos desequilíbrios macroeconômicos e da reforma da assistência ao desenvolvimento suas prioridades centrais. No segundo ponto, o histórico de Kananaskis é pouco animador: a conformidade com os compromissos de dívida de países em desenvolvimento foi uma das mais baixas de toda a avaliação. A pergunta que Évian não vai responder em três dias, mas que o relatório coloca com precisão, é se o G7 tem capacidade de se cobrar. O grupo não tem mecanismo de fiscalização.
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