Apesar do acordo de paz anunciado por Estados Unidos e Irã, o governo de Israel afirmou nesta segunda-feira (15) que suas tropas permanecerão por tempo indeterminado nas áreas ocupadas do sul do Líbano. O entendimento foi duramente criticado por integrantes do governo de Binyamin Netanyahu e por líderes da oposição, que dizem que os termos não garantem a segurança do país. Líbano foi arrastado para a guerra quando o Hezbollah, grupo extremista aliado de Teerã, atacou Israel em apoio ao Irã. Tel Aviv lançou uma ofensiva contra o país vizinho e passou a ocupar o sul libanês, deslocando ao menos um milhão de pessoas. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou a manutenção do controle territorial é uma das principais conquistas da campanha militar. Ele disse que os moradores serão obrigados a desocupar as zonas e que Tel Aviv destruirá toda a infraestrutura do Hezbollah. Casas usadas como postos de ataque também serão demolidas. Katz ainda advertiu que o país responderá com “força total” caso Teerã ataque Israel em reação à campanha militar israelense no território libanês. “Não abriremos mão do interesse supremo de segurança de Israel e da proteção de nossos cidadãos, e não nos retiraremos das zonas de segurança”, afirmou. Segundo ele, o premiê Netanyahu informou Trump sobre as condições de Tel Aviv. Um ataque com drones israelense atingiu um carro no sul do Líbano, matando o motorista, segundo a agência de notícias estatal libanesa. O episódio, a primeira ofensiva desde o anúncio do acordo, eleva as tensões e incertezas sobre a concretização do plano de paz. O Irã reagiu. O ministro de Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, disse que o acordo assinado com Washington define o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, assim como o respeito à sua soberania e integridade territorial. O chanceler afirmou que os EUA devem garantir que Israel cumpra esses requisitos, mas disse também que Teerã ainda mantém “profunda desconfiança” em relação a Washington. O Exército do Líbano pediu nesta segunda que os moradores deslocados devido ao conflito adiem seu retorno às suas casas, citando “risco de violações e ataques por parte de Israel”. Dentro do Estado judeu, o extremista Bezalel Smotrich, ministro das Finanças de Israel, disse que o acordo dos EUA com o Irã é ruim e também defendeu uma intensificação da campanha no Líbano. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, adotou tom semelhante. “Não somos parte desse acordo. Ele não garante nossa segurança”, afirmou o líder de direita em um comunicado. As críticas ao acordo também vieram da oposição. O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, um dos principais candidatos nas próximas eleições israelenses, classificou o entendimento como uma “guinada perigosa para a segurança de Israel”. Yair Golan, líder do partido de esquerda Democratas, argumentou que o acordo anulou os ganhos militares obtidos por Israel durante a guerra. Já o Hezbollah celebrou o acordo firmado. Em uma declaração escrita, o grupo apoiado por Teerã advertiu Israel de que não aceitará quaisquer ataques que violem a soberania do Líbano ou que tenham como alvo sua população. A assinatura do pacto está prevista para sexta-feira, em Genebra. Segundo um diplomata afirmou à AFP, Washington e Teerã farão reuniões indiretas em Doha nesta semana. Segundo Trump, o estreito de Hormuz será liberado e as restrições à navegação serão suspensas. O presidente afirmou em um post nesta segunda-feira que navios carregando petróleo já estão começando a atravessar a via. O regime persa, contudo, afirmo que a República Islâmica cobrará taxas dos navios que passarem pelo estreito. “Serão cobradas taxas por serviços de navegação, proteção ambiental, seguros marítimos e outros serviços necessários”, declarou Baqaei. Em entrevista à emissora CNBC nesta segunda, o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, afirmou que Washington espera que Hormuz permaneça aberto e livre de cobranças no longo prazo. Diversos países, incluindo Rússia, China e Arábia Saudita, celebraram o acordo de paz. Moscou disse esperar que o documento seja assinado ainda nesta semana, e Pequim afirma que espera que passagem segura e livre pelo estreito de Hormuz seja restabelecida o mais rápido possível.
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