O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (17) que o acordo de cessar-fogo que será assinado na sexta-feira (19) com o Irã ainda não é definitivo e que pode voltar a bombardear o país caso não fique satisfeito com o resultado das negociações. “É um memorando de entendimento. E, se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, lançando bombas na cabeça deles”, disse Trump durante a cúpula do G7 na França. “Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos imediatamente a lançar bombas na cabeça deles”, reiterou. Na declaração final do encontro, os líderes dos países do G7 celebraram o acordo provisório entre EUA e Irã e afirmaram que buscarão formas de diversificar as rotas de fornecimento de energia para reduzir a dependência do estreito de Hormuz, que ficou bloqueado por Teerã durante o conflito. Também exigiram um cessar-fogo que contemple o Líbano, após Israel lançar uma ofensiva no país vizinho e afirmar que manterá sua ocupação militar no sul. Os líderes se reuniram para uma cúpula na cidade francesa de Évian-les-Bains, a menos de 50 km de onde o memorando entre Washington e Teerã será assinado em Genebra, na Suíça, na sexta-feira (19). Espera-se que seja o primeiro passo para dar início a negociações para um acordo que de fato encerre a guerra. Trump ainda fez uma piada em uma sala cheia de chefes de Estado. “Eu sou o chefe”, disse o americano, enquanto ele e os demais líderes do G7 reconheceram a melhora da situação da Ucrânia no campo de batalha. O comentário de Trump veio após uma declaração conjunta dos líderes que pode fortalecer a crescente influência de Kiev em eventuais negociações de paz com Moscou. No comunicado, os líderes do G7 também comentaram o acordo diretamente o acordo no Oriente Médio. “Destacamos a necessidade de que as negociações abordem as ameaças representadas pelo Irã na região e além dela, garantindo que [Teerã] jamais obtenha uma arma nuclear”, afirma o texto. A cúpula deu a Trump a oportunidade de apresentar termos de seu pacto com o Irã aos aliados Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão. Esses países compartilham as preocupações de Washington sobre o programa nuclear iraniano e outras questões, mas nunca apoiaram a decisão de Trump de entrar em guerra e temem que Teerã tenha ganhado influência ao resistir ao ataque e firmar controle sobre o estreito de Hormuz. Os líderes disseram estar prontos para contribuir para a implementação do acordo, com uma coalizão liderada por Reino Unido e França preparada para ajudar a garantir a segurança da navegação assim que o estreito for reaberto. O memorando de entendimento assinado esta semana por Washington e Teerã, embora ainda não tenha sido divulgado publicamente, estende por mais 60 dias um cessar-fogo anunciado em abril, permitindo que as partes negociem uma trégua permanente. Trump parece ter alcançado pouco do que dizia desejar no início da guerra. O regime teocrático do Irã permanece no poder, seu estoque de urânio altamente enriquecido não foi entregue e suas capacidades de mísseis balísticos não foram destruídas. Uma das maiores questões ainda pairando sobre a trégua é o destino do Líbano. Forças israelenses ainda ocupam uma faixa do sul do país, onde mais de um milhão de pessoas foram expulsas de suas casas. O Irã diz que o cessar-fogo também deve encerrar as hostilidades no Líbano e que um acordo permanente deve levar a uma retirada israelense. Israel, que foi excluído das negociações de paz EUA-Irã, diz que não se retirará e reserva para si o direito de usar força militar. O impasse abriu uma fissura entre Israel e os EUA, com Trump repreendendo publicamente seu aliado Binyamin Netanyahu. Na terça (16), o papa Leão 14 elogiou o acordo para encerrar a guerra, dizendo que, “graças a Deus”, as duas potências devem formalizar o pacto na sexta-feira. O pontífice, primeiro americano a liderar a Igreja Católica, acumulou atritos com Trump após criticar a campanha militar do republicano no Oriente Médio.
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