O G7 declarou que a guerra da Ucrânia vive um “novo momento”. Em declaração conjunta fechada na noite de terça-feira (16), os sete países mais a União Europeia afirmam reconhecer “a resiliência e os avanços da Ucrânia no campo de batalha nos últimos meses” e prometem acelerar o envio de sistemas de defesa aérea, interceptores e capacidades de longo alcance a Kiev, além de considerar a extensão de licenças para ampliar a produção militar ucraniana. O texto também sinaliza disposição para apertar ainda mais as sanções contra o petróleo e o gás russos —e a justificativa para o aperto vem de outro front da própria declaração. Os líderes afirmam que “este é o momento certo para avançar com medidas adicionais”, já que “o presidente [Donald] Trump entregou um acordo” que conta com o apoio do grupo “na reabertura do estreito de Hormuz”. É a um só tempo um elogio à diplomacia americana no Oriente Médio e um aviso de que o G7 pretende usar o alívio energético para fechar o cerco sobre Moscou. Sobre o Irã, a declaração trata o memorando de entendimento entre Washington e Teerã, anunciado no domingo (14), como “o avanço e a oportunidade que hoje existem no Oriente Médio”, e saúda o acordo como algo “obtido sob a forte liderança do presidente Trump”, com o apoio de países mediadores. Os líderes reafirmam que o Irã “nunca deverá obter uma arma nuclear” e dizem esperar um “acordo diplomático robusto e abrangente” que trate também das atividades balísticas e regionais iranianas. O G7 formaliza ainda o apoio à “iniciativa multinacional, independente e de caráter defensivo liderada por França e Reino Unido” para facilitar a retomada do tráfego marítimo no estreito, bloqueado há mais de cem dias, protegendo navios mercantes e verificando a remoção de minas. O texto reserva parágrafos também ao Líbano, onde o G7 apoia, “por meio de um cessar-fogo robusto e imediato”, os esforços da liderança libanesa para o desarmamento do Hezbollah, e à Faixa de Gaza, onde os líderes prometem “acelerar os esforços humanitários e de reconstrução”. No Indo-Pacífico, repete a oposição a “tentativas unilaterais de alterar o status quo, em particular pela força ou coerção”, no mar da China Oriental, no mar do Sul da China e no estreito de Taiwan, e cobram da Coreia do Norte a resolução “imediata” da questão dos sequestros. O termo é uma referência aos cidadãos japoneses levados por agentes norte-coreanos entre as décadas de 1970 e 1980, um tema que o Japão cobra rotineiramente em fóruns multilaterais e que Pyongyang só reconheceu parcialmente, em 2002. Um trecho final cita a Cúpula de Convergência para o Crescimento, reunião virtual convocada pelo francês Emmanuel Macron em 11 de junho e que teve a participação da China —um dos poucos pontos do documento em que um país fora do G7 aparece como interlocutor direto, ainda que não como signatário. A declaração tem assinatura apenas dos sete membros plenos do grupo —Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido— e da União Europeia. Os cinco convidados da presidência francesa para a cúpula deste ano, entre eles o Brasil, não participaram da discussão do comunicado. Nesta quarta-feira (17), a agenda de Lula em Évian teve dois compromissos centrais. O primeiro foi uma sessão de trabalho com membros do G7, países parceiros, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre o que a presidência francesa chama de “crescimento econômico equilibrado, compartilhado e sustentável”. Em seguida, o presidente participou do almoço de trabalho sobre inteligência artificial, que reúne líderes políticos a executivos do setor —entre eles Sam Altman, da OpenAI, Dario Amodei, da Anthropic, e Demis Hassabis, do Google DeepMind—, com discussões sobre infraestrutura, segurança e regulação da tecnologia. Estão previstas, ainda , possíveis reuniões bilaterais entre Lula e o ditador do Egito, Abdel Fattah Al-Sisi, e o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. Ao fim dos trabalhos em Évian, Lula viaja para Genebra, onde deve se reunir com o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza, acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues —encontro que ganha relevância num momento de tensão com Washington após a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
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