O grupo terrorista Hamas anunciou nesta segunda-feira (20) a nomeação de Khalil al-Hayya como seu líder máximo. Segundo especialistas, a escolha indica que a facção deverá adotar uma postura mais rígida diante das pressões de Israel e dos Estados Unidos para que se desarme. Hayya sucederá Yahya Sinwar, morto pelas forças israelenses em outubro de 2024. Desde então, Hayya comanda o Hamas do exílio e atua como principal negociador do grupo. Sua influência se ampliou após as mortes de Sinwar e de Ismail Haniyeh, assassinado no Irã em julho daquele mesmo ano. O novo líder máximo é considerado mais linha-dura do que Khaled Meshaal, chefe do escritório político do Hamas no exílio e outro nome que foi cotado para assumir o comando da organização. Segundo autoridades israelenses ouvidas pela agência Reuters, Hayya estava entre os dirigentes do Hamas que foram alvo de um ataque israelense feito em 2025 em Doha, no Qatar, onde vive. O grupo terrorista enfrenta um dos momentos mais difíceis desde sua fundação, em 1987, após ser enfraquecido por dois anos de guerra desencadeada pelo atentado de 7 de outubro de 2023 contra Israel. Embora os combates tenham diminuído desde o cessar-fogo costurado pelos EUA em outubro, Israel ainda controla mais de 60% da Faixa de Gaza. Os ataques continuam, e as condições de vida dos cerca de 2 milhões de habitantes do território permanecem precárias. Israel afirma que seus ataques têm como alvo integrantes do Hamas e de outros grupos armados de Gaza que representam uma ameaça iminente. Nesta segunda, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, não havia comentado a escolha de Hayya para liderar a organização terrorista. Também nesta segunda, um ataque israelense matou pelo menos três palestinos que viajavam em um veículo em Khan Yunis, no sul de Gaza, segundo equipes médicas locais. As Forças Armadas de Israel disseram à Reuters que atingiram um membro do grupo na região, sem fornecer mais detalhes. ESCOLHA É VISTA COMO MENSAGEM DE DESAFIO Desde a morte de Sinwar, o Hamas vinha sendo dirigido por um conselho superior composto por cinco membros, incluindo Hayya e Meshaal, além de outros três dirigentes. A eleição do líder do Hamas é um processo demorado, que foi iniciado em janeiro, mas teve de ser interrompido pelas guerras envolvendo Irã e Líbano, bem como pela continuidade das operações militares israelenses em Gaza. A escolha é feita por um conselho de 50 integrantes formado por membros do Hamas na Faixa de Gaza, na Cisjordânia ocupada —incluindo representantes detidos em prisões israelenses— e no exílio. A analista política palestina Reham Owda afirmou que a vitória de Hayya envia uma mensagem de que o Hamas continua comprometido com a luta armada, rejeita qualquer proposta de desarmamento e pretende reconstruir sua capacidade militar ao mesmo tempo em que preserva sua aliança com o Irã e com o chamado “Eixo da Resistência” —uma rede de grupos armados hostis a Israel. “Isso indica que as negociações relacionadas ao desarmamento provavelmente enfrentarão dificuldades e obstáculos”, disse Owda à Reuters. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O plano de cessar-fogo para Gaza proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, exige o desarmamento do Hamas e a retirada das forças militares israelenses. A proposta prevê que o território seja administrado por uma autoridade palestina tecnocrática supervisionada pelo chamado Conselho da Paz, criado pelo republicano. No entanto, as negociações entre o Hamas, os países árabes mediadores e enviados do Conselho da Paz de Trump ainda não conseguiram alcançar um acordo amplo para encerrar o conflito. O grupo terrorista também enfrenta críticas dentro da própria Faixa de Gaza devido ao alto custo humano da guerra, que deixou grande parte do território em ruínas e causou a morte de mais de 73 mil pessoas, segundo as autoridades de saúde palestinas.
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