Travessia em massa deixou dezenas de mortos, provocou confrontos no lado marroquino da fronteira e mobilizou os governos de Espanha e Marrocos. Cerca de 25 mil pessoas já teriam retornado voluntariamente 17 Fotos © Getty Images Ceuta enfrenta uma crise migratória após receber entre 50 mil e 60 mil pessoas em apenas 24 horas, segundo estimativas divulgadas pelas autoridades locais e pelo governo espanhol. Dezenas de migrantes morreram ao tentar alcançar a cidade autônoma espanhola a nado. Os governos de Espanha e Marrocos passaram a trabalhar em conjunto para conter a emergência. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou a região nesta sexta-feira e afirmou que a chegada em massa interrompe a tendência de redução dos fluxos migratórios irregulares registrada nos últimos meses. A tensão também se espalhou pelo lado marroquino da fronteira. Na cidade de Fnideq, centenas de pessoas tentaram avançar em direção ao território espanhol, desencadeando confrontos violentos, depredações e incêndios em veículos. Imagens exibidas por emissoras espanholas também mostraram grupos numerosos retornando a Marrocos após terem conseguido entrar em Ceuta. O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, estima que aproximadamente 25 mil migrantes já tenham voltado voluntariamente ao território marroquino. Segundo ele, os retornos chegaram a ocorrer em um ritmo de 150 pessoas por minuto. Caso as estimativas estejam corretas, entre 25 mil e 35 mil migrantes ainda permaneceriam em Ceuta. Outros cálculos citados pela imprensa internacional apontam, porém, que esse número pode chegar a 60 mil. Pedro Sánchez atribuiu a mobilização a redes de tráfico de pessoas, acusadas de divulgar uma interpretação distorcida de uma decisão recente do Supremo Tribunal da Espanha. Segundo o primeiro-ministro, a informação se espalhou rapidamente por Marrocos e provocou uma movimentação de grandes proporções em direção à fronteira. Relatos de migrantes indicam que a sentença teria criado a percepção de que pessoas que entram irregularmente na Espanha pelo mar não podem ser devolvidas imediatamente às autoridades de outro país. O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, já havia criticado o que classificou como uma brecha jurídica. Para ele, a regra torna mais vantajosa a entrada a nado do que a tentativa de ultrapassar a cerca que separa os dois territórios, incentivando novas travessias. Sánchez anunciou que a Guarda Civil pretende instalar boias na área de fronteira marítima. A medida busca criar uma barreira física de contenção e permitir que as autoridades cumpram a decisão do Supremo Tribunal. Os números sobre a entrada de migrantes ainda variam. Juan Jesús Vivas calcula que cerca de 60 mil pessoas chegaram a Ceuta em um dia, enquanto o governo espanhol trabalha com a estimativa de 50 mil. Veja as imagens na galeria acima. Crise em Ceuta (e diplomática): Há quem queira Espanha fora de Schengen Há países europeus a criticar o governo espanhol devido ao que consideram ser uma abordagem fraca em relação aos controlos fronteiriços. Quase 60 mil pessoas cruzaram a fronteira que separa Marrocos do enclave espanhol de Ceuta. Notícias ao Minuto com Lusa | 14:04 – 31/07/2026 Escolha o Notícias ao Minuto como fonte preferida no Google Receba as nossas notícias com mais destaque sempre que pesquisar no Google.
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