Tem dias em que a política parece um GPS desconfigurado: “vire à direita… recalculando… faça o retorno… siga em frente… recalculando novamente.”
Ontem, o senador Cleitinho apareceu emocionado. Disse que a dor pela perda do irmão era grande demais e que não tinha condições de disputar o governo de Minas. Muita gente se solidarizou. Afinal, o luto merece respeito.
Mas bastou amanhecer o dia para a história ganhar um novo capítulo. Na convenção do partido, lá estava o mesmo Cleitinho, pedindo uma oportunidade para ser candidato a governador. Alegou que havia refletido e mudado de ideia.
Na política, mudar de posição faz parte do jogo. O problema é quando as mudanças acontecem na velocidade de uma troca de roupa. O eleitor mal consegue entender uma decisão e já precisa reaprender a seguinte.
É como uma novela em que o personagem morre no capítulo de segunda-feira e reaparece vivo na terça, explicando que tudo não passou de um mal-entendido.
No fim das contas, o maior desafio da política continua sendo a credibilidade. Porque uma candidatura pode até ir e voltar. O que não deveria ficar indo e voltando é a confiança do eleitor.
Talvez a política brasileira precise inventar uma nova placa de trânsito: “Atenção: trecho sujeito a mudanças repentinas de direção.”
Na política, mudar de ideia é um direito. O problema é quando a mudança acontece tão rápido que o eleitor nem sabe se está assistindo ao primeiro ato ou ao bis da mesma cena. Enquanto isso, a confiança vai ficando na plateia, esperando alguém decidir qual roteiro vale de verdade.
O post O “vai e vem” infinito da política apareceu primeiro em Blog do Pelegrini.


