Uma das defensoras mais fervorosas de Donald Trump, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, vai deixar o cargo. Mais jovem a ocupar o posto, aos 27 anos, ela participou também do primeiro mandato do atual presidente dos Estados Unidos e chefiou a área de imprensa da campanha dele em 2024. O anúncio foi feito por Trump na Truth Social. Na publicação, ele a definiu como uma de suas “assessoras de maior confiança” e “uma das melhores secretárias de Imprensa da Casa Branca na história do cargo”. O republicano afirmou que ela deixará o posto no fim deste mês para “passar mais tempo com seus lindos filhos pequenos e sua família”. “Uma decisão que compreendo e respeito”, escreveu ele. “Karoline agora será uma das minhas principais assessoras externas e uma voz influente dentro do Partido Republicano enquanto trabalhamos para desafiar a história e vencer de forma conclusiva as eleições de meio de mandato”, acrescentou Trump. Em um longo texto no Instagram, Leavitt também usou a mensagem de despedida para reafirmar o tom combativo que marcou sua passagem pela Casa Branca. Ela disse ter se orgulhado das realizações do governo Trump e destacou como parte de sua missão no cargo o enfrentamento ao que chamou de “mídia liberal”, além da defesa pública do presidente e de suas políticas. Ao explicar a decisão de deixar o posto, porém, a porta-voz concentrou-se em razões pessoais. Leavitt afirmou que conciliar a maternidade com as exigências de um dos cargos de maior exposição da Casa Branca se tornou cada vez mais difícil após o nascimento de sua filha. Segundo ela, desde que retornou ao trabalho, passou a sentir que não conseguia dedicar aos dois filhos pequenos a atenção que considerava necessária enquanto mantinha o ritmo exigido pela função. “Foi por isso que, no fim, tomei a difícil e agridoce decisão de deixar a Casa Branca e iniciar um novo capítulo da minha vida”, afirmou ela que deixa claro que deve continuar na política. “Nosso país enfrenta uma ameaça existencial vinda de um Partido Democrata cada vez mais extremista, que busca destruir tudo o que há de grandioso nos Estados Unidos, e acredito que cabe a todos nós que nos importamos com este país reagir e combater essa ameaça”, diz a secretária. “Minha luta está entrando em uma nova fase, mas está longe de terminar.” Não está claro ainda quem deve ocupar o cargo de porta-voz. Desde que Trump voltou à Presidência, ela ocupou a ponta mais exposta da gestão. Conhecida por confrontar jornalistas e por caracterizar a imprensa como propagadora de fake news, já afirmou que o atual presidente “fez com que conservadores e republicanos se tornassem ‘cool’ [legais] novamente”. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Trump ficou satisfeito com seu desempenho e a considerou uma voz confiável para defendê-lo na televisão, segundo pessoas envolvidas na campanha do presidente. Nascida em New Hampshire, Leavitt formou-se em ciência política e comunicação na faculdade católica Saint Anselm College, em 2019. Ainda estudante, fez um estágio na Fox News e também foi voluntária no New Hampshire Institute of Politics. Depois de trabalhar na Casa Branca como secretária de Imprensa assistente e no Escritório de Correspondência Presidencial durante o primeiro mandato de Trump, Leavitt concorreu ao Congresso em New Hampshire em 2022, vencendo uma primária republicana, mas não teve sucesso em desbancar o titular democrata. Ela também foi porta-voz da deputada por Nova York Elise Stefanik, do Partido Republicano, uma aliada próxima de Trump que foi escolhida para ser sua embaixadora nas Nações Unidas. Leavitt se torna a quarta mulher em cargo de confiança do governo Trump a sair neste ano. Trump demitiu Kristi Noem, agora ex-secretária de Segurança Interna, após o início de uma crise envolvendo o ICE, a agência de migração americana, e escolheu o senador Markwayne Mullin para o cargo. Também anunciou a saída da ex-secretária do Departamento de Justiça, Pam Bondi. De acordo com o jornal The New York Times, o presidente teria demonstrado insatisfação com a atuação dela na condução do caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein, que se tornou outra crise política para o republicano. O posto foi ocupado pelo ex-advogado de Trump, Todd Blanche. Em junho, a então diretora de Inteligência dos EUA, Tulsi Gabbard, decidiu renunciar ao cargo em meio a uma série de desgastes no governo. Uma pessoa a par do assunto mencionada pela agência de notícias Reuters e que não quis se identificar afirmou que Gabbard foi forçada pela Casa Branca a deixar o cargo. Durante a atual guerra no Irã, iniciada por Trump em fevereiro, vídeos antigos em que ela se posicionava contra as intervenções voltaram a circular. Em março, ela contradisse o presidente ao dizer que o regime do Irã foi enfraquecido pelos ataques dos EUA em conjunto com as forças de Israel, mas que ainda parecia estar intacto. Teerã e seus aliados, acrescentou, continuavam capazes de atacar interesses de Washington e de aliados no Oriente Médio. A fala ganhou ampla projeção já que, antes, Trump havia dito várias vezes que o Irã estava derrotado, que suas capacidades militares tinham sido destruídas e que os EUA haviam vencido o conflito. Também em março, o presidente afirmou que Gabbard era “mais branda” do que ele na forma de lidar com as ambições nucleares de Teerã. Ela também foi substituída por um homem, o advogado Jay Clayton.
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