O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nesta terça-feira (18) uma imagem que mostra o estreito de Hormuz como “novo território americano”. A publicação ocorreu em meio à estagnação das negociações diplomáticas e à disputa pelo controle da via marítima. “Não há nenhuma negociação ou conversa em andamento nem prevista com a República Islâmica do Irã”, escreveu o republicano em outro post. Segundo Trump, o bloqueio naval americano aos portos iranianos continua em vigor. Mais cedo nesta terça, o principal negociador de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Hormuz permanecerá fechado até que os EUA cumpram as condições de um acordo provisório firmado com o Irã em junho. Essas exigências incluem que os EUA encerrem o bloqueio aos portos iranianos, suspendam as sanções ao petróleo, liberem os ativos iranianos congelados e interrompam as ameaças e operações militares, disse Ghalibaf ao Parlamento. Hormuz vem registrando níveis mínimos de trânsito —menos de 10% do número de embarcações que por lá trafegavam antes da guerra. Sem apresentar provas, Trump disse nesta terça que o estreito “está aberto e operando normalmente”. “Todas as minas marítimas foram removidas ou detonadas”, escreveu. O memorando, assinado em 17 de junho, fracassou devido a uma disputa sobre o controle de Hormuz, por onde circulava, antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente. Trump declarou o acordo encerrado em 7 de julho. Uma semana depois, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o pacto estava suspenso. Os países voltaram a trocar ataques, e a guerra foi intensificada no Oriente Médio. Pelo acordo, os dois países se comprometeram a negociar, em até 60 dias, um entendimento definitivo sobre temas mais amplos, incluindo o futuro do programa nuclear iraniano. O prazo, que expirou na segunda (17), poderia ser prorrogado por consentimento mútuo. Um funcionário iraniano de alto escalão disse à Reuters na segunda que o Irã agora adotaria uma postura “totalmente ofensiva” devido à paralisação dos esforços diplomáticos para garantir um fim permanente ao conflito. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Ainda na segunda-feira, Trump disse que irá atacar Omã caso o sultanato árabe busque dividir o controle de Hormuz com o Irã. “Se Omã se meter no caminho, vamos bombardeá-los para c…”, afirmou. A fala presidencial foi relatada por Trey Yingst, jornalista da Fox News baseado em Tel Aviv, que é um interlocutor frequente do republicano. Foi a primeira vez que o americano ameaçou diretamente um país árabe desde que iniciou sua guerra, ao lado de Israel, em 28 de fevereiro. Até então, Omã era o país que conduzia a mediação entre americanos e iranianos relacionada ao programa nuclear dos aiatolás. Quando a guerra começou, o sultanato foi alvo de ataques retaliatórios dos iranianos, o que gerou surpresa e repúdio no governo local, visto como um interlocutor neutro de ambos os rivais. Com Hormuz praticamente fechado, os iranianos retomaram negociações diretas com Omã, que controla a margem sul do estreito e metade de suas águas. Na semana passada, Teerã disse que esse diálogo era independente de qualquer acordo com os americanos, o que levou à fúria de Trump.
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