O ministro de Segurança Nacional de Israel, o extremista Itamar Ben-Gvir, publicou na segunda-feira (31) um vídeo feito por inteligência artificial comemorando a fome que prisioneiros palestinos passam no sistema prisional israelense, administrado por ele. Ben-Gvir, sob sanções de países como o Reino Unido, o Canadá e a França, recuou e apagou a publicação. O vídeo faz parte da campanha eleitoral do extremista para se reeleger ao Parlamento israelense —ele lidera o partido Poder Judaico, cujos assentos no Knesset são essenciais para a atual correlação de forças que mantém Binyamin Netanyahu no poder. As imagens geradas por IA mostram o que seriam terroristas palestinos contentes ao receberem uma condenação, imaginando que teriam regalias na prisão, como comida, doces e fumo. Em seguida, Ben-Gvir aparece, retirando esses benefícios dos presos ao apertar um botão. Os terroristas são então conduzidos à prisão como se estivessem em uma linha de montagem, entrando gordos e saindo magros, famintos e em prantos. A prisão mostrada no vídeo foi comparada por críticos de Ben-Gvir a um campo de concentração nazista, locais onde milhões de judeus, prisioneiros de guerra, presos políticos e outras minorias foram mortos na Segunda Guerra Mundial. Palestinos presos em Israel denunciam maus-tratos há anos. Organizações como a ONG B’Tselem, que monitora a situação de direitos humanos nos territórios ocupados, diz que o governo israelense opera “uma rede de campos de tortura” em seu sistema prisional, e há relatos de abusos sexuais e outras humilhações sofridas pelos detentos. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Em 2025, a Suprema Corte de Israel afirmou que os presos não recebiam quantidades adequadas de comida e ordenou que o governo melhorasse sua situação nutricional. O órgão máximo do judiciário disse que o Estado tem obrigação de assegurar “o nível básico de existência” dos detentos. Essa é a segunda vez que Ben-Gvir publica vídeos controversos em poucos dias. No último domingo (30) ele divulgou uma visita que fez a uma unidade feminina em que discute com as presas, dizendo que são muito melhor tratadas em Israel do que foram os reféns feitos pelo Hamas no 7 de outubro. Ben-Gvir já foi criticado diversas vezes pela comunidade internacional por suas falas e ações, e está sob sanção de países como Reino Unido, Austrália, Canadá, França, Irlanda e Noruega. A diplomacia francesa proibiu o ministro israelense de entrar no país depois que ele publicou um vídeo mostrando ativistas da flotilha humanitária que tentava romper o bloqueio a Gaza detidos com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão. No vídeo, publicado com a legenda “bem-vindos a Israel, é assim que tratamos os apoiadores do terrorismo”, o hino nacional israelense é reproduzido em volume alto. No dia 16 de agosto, Ben-Gvir disse que Israel deveria matar “de 30 a 40” pessoas todos os dias na Faixa de Gaza e construir assentamentos no território palestino. A fala levou a condenações até mesmo da Alemanha, que, por sua responsabilidade no Holocausto, geralmente evita se posicionar contra Israel na diplomacia. O premiê alemão, Friedrich Merz, disse por meio de um porta-voz que “declarações que ferem o direito internacional e a dignidade humana não são aceitáveis”. Em julho, sobre o plano de paz para Gaza apoiado por Donald Trump, Ben-Gvir disse que “só se pode negociar com nazistas por meio da mira da arma”. “A única solução para Gaza é encorajar a emigração [de palestinos] e destruir o Hamas”, afirmou. Em junho, durante ataques trocados entre Israel e Hezbollah, milícia pró-Irã no Líbano, o extremista escreveu no X: “Para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas precisam chorar. Todo o Líbano precisa queimar!”. Em novembro de 2023, após os ataques de 7 de outubro, Ben-Gvir afirmou: “Quando digo que o Hamas precisa ser eliminado, isso também inclui aqueles que cantam, aqueles que apoiam e aqueles que distribuem doces [em Gaza]. Todos são terroristas”. Em 2019, ele defendeu expulsar de Israel cidadãos israelenses de origem árabe que não fossem suficientemente leais ao país.
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