Tem uma coisa no caso do Banco Master que chama a atenção: Daniel Vorcaro circulava com facilidade entre políticos, autoridades, empresários e gente poderosa. Era ouvido, procurado e tratado com intimidade. Agora, com o escândalo estourado, parece que ninguém conhece mais o homem.
O deputado Nikolas Ferreira, por exemplo, aparece em mensagens chamando Vorcaro de “Dani” e até de “lindão”, enquanto pedia ajuda para resolver uma questão envolvendo um amigo. Nikolas confirma os contatos, mas nega ter recebido dinheiro ou cometido qualquer irregularidade. Mesmo assim, a intimidade revelada contrasta com o discurso de distanciamento adotado depois. (UOL)
Vorcaro não era um desconhecido escondido num porão. Pelo contrário: transitava nos ambientes mais importantes do poder, mantinha contatos, oferecia facilidades e abria portas. Enquanto tudo estava funcionando, havia muita gente querendo conversa. Depois que a Polícia Federal entrou em cena, os amigos desapareceram numa velocidade impressionante.
É claro que quem praticou crime deve responder perante a Justiça, com direito à defesa e ao devido processo legal. Mas a pergunta que fica é outra: será que apenas Vorcaro deverá pagar essa conta?
Não dá para tratar o homem como “lindão” na hora de pedir ajuda e depois apresentá-lo como um estranho quando a situação aperta. Se houve benefícios, favores, viagens ou articulações, tudo precisa ser esclarecido — independentemente de partido, cargo ou sobrenome.
Porque, pelo visto, Vorcaro era “Dani” quando tinha influência. Virou Daniel Vorcaro quando foi preso. E, agora, corre o risco de terminar como o bandido solitário de uma história cheia de gente poderosa.
O post Vorcaro: o “lindão” que ficou sozinho na cadeia apareceu primeiro em Blog do Pelegrini.


