Natural de Amargosa e radicado em Valença desde a infância, escritor construiu uma trajetória marcada pela literatura, pelo teatro e pela atuação cultural no Baixo Sul da Bahia
Morreu nesta sexta-feira (4) o poeta, escritor, dramaturgo e ativista cultural Otávio Campos Mota Nunes, um dos nomes de referência da literatura e da cultura de Valença e do Baixo Sul da Bahia.
Natural de Amargosa, Otávio Mota nasceu em 1947 e mudou-se para Valença aos oito anos de idade, cidade onde construiu grande parte de sua trajetória pessoal, profissional e artística.
Ao longo de décadas dedicadas à cultura, participou e ajudou a organizar diferentes movimentos artísticos em Valença, entre eles a Primeira Semana de Arte de Valença, realizada em 1974, além de seminários de teatro, festivais de poesia e música e projetos como a Ocupação Cultural.
Otávio também exerceu diferentes funções na esfera pública, tendo atuado como secretário de Administração e Finanças, coordenador de eventos e diretor municipal de Turismo. Na área cultural, esteve ligado ao Centro de Cultura Olívia Barradas, onde exerceu funções de gestão e coordenação. Também integrou a Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes (AVELA).
Na literatura, estreou em livro em 1985, com Pensar fluidos. Dois anos depois, publicou Apocalipse Man, reunindo poesia e dramaturgia. Sua produção atravessou décadas e fez de Otávio uma das referências da literatura valenciana contemporânea, com uma obra marcada por reflexões sociais, identidade, território e pela relação com Valença e o Baixo Sul.
Em maio de 2025, o escritor viveu um dos momentos mais recentes de celebração de sua produção literária com o lançamento de O Tempo e o Caminho, no Theatro Municipal de Valença. O evento reuniu escritores, artistas, leitores e admiradores de sua obra em uma noite dedicada à poesia, à música e à literatura.
Na ocasião, Otávio destacou a dimensão coletiva da literatura e agradeceu ao público que acompanhava o lançamento. A obra reuniu poemas e textos de dramaturgia produzidos ao longo de sua trajetória.
Além da produção literária, Otávio Mota manteve uma relação próxima com a imprensa e com os movimentos culturais da cidade. Ao longo dos anos, colaborou com publicações valencianas, entre elas O Manacá, Jornal da Terra e o próprio Jornal Valença Agora.
Sua trajetória também se confunde com diferentes momentos da história cultural recente de Valença, seja pela produção de poemas e textos teatrais, pela participação em movimentos artísticos ou pela atuação na gestão e promoção da cultura.
O falecimento foi lamentado pela Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes (AVELA), da qual Otávio Mota fazia parte desde a fundação. Em mensagem dirigida aos confrades e confreiras da instituição, o escritor e presidente da AVELA, Alfredo Gonçalves, destacou a trajetória do artista e sua contribuição para a cultura valenciana e do Baixo Sul.
“Otávio se encontrava em tratamento de saúde em Salvador, com um grave quadro de saúde. Deixa uma grande lacuna nas artes de Valença”, afirmou Alfredo Gonçalves. O presidente da AVELA também ressaltou a atuação de Otávio como artista plástico, poeta e teatrólogo, além de sua passagem pela coordenação do Centro de Cultura Olívia Barradas durante muitos anos.
Na mensagem, Alfredo destacou ainda que Otávio “era um expoente da cultura valenciana e do Baixo Sul” e ressaltou a honra da AVELA em tê-lo entre seus acadêmicos desde a fundação da instituição. Ao manifestar pesar pelo falecimento, a academia expressou solidariedade aos familiares e amigos do artista.
Informações sobre velório e sepultamento ainda não foram divulgadas.
Foto: Secom PMV


