Quem acompanha a política pode ter estranhado ao ver Deltan Dallagnol novamente candidato, agora disputando uma vaga no Senado pelo Paraná.
A pergunta é simples: Dallagnol não teve o mandato cassado? Como pode estar concorrendo outra vez?
Teve, sim.
Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o registro da candidatura de Dallagnol referente às eleições de 2022, provocando a perda do seu mandato de deputado federal.
Na época, o TSE entendeu que o ex-procurador deixou o Ministério Público Federal em 2021 quando ainda existiam procedimentos disciplinares contra ele. Para o tribunal, a saída antecipada permitiu o enquadramento do caso na Lei da Ficha Limpa.
Só que surgiu uma nova discussão jurídica.
A defesa de Dallagnol argumenta que a decisão do TSE atingiu aquela candidatura de 2022, mas não determinou expressamente que ele ficaria proibido de disputar as eleições de 2026.
Por isso, Dallagnol procurou o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) para conseguir o reconhecimento de que pode concorrer neste ano.
E ele conseguiu um reforço importante: o Ministério Público Eleitoral apresentou parecer favorável à sua elegibilidade. Segundo o MPE, a decisão que derrubou sua candidatura anterior não impede automaticamente uma nova candidatura em 2026.
Mas calma lá: parecer do Ministério Público não é sentença.
A palavra do MPE pesa, mas quem decide é a Justiça Eleitoral. E o caso ainda está sendo analisado pelo TRE-PR, inclusive diante de impugnações apresentadas contra a candidatura.
Portanto, Dallagnol está na disputa pelo Senado, mas existe uma batalha jurídica para definir definitivamente se ele poderá permanecer nela.
É uma situação no mínimo curiosa.
O homem que ficou conhecido nacionalmente como um dos principais procuradores da Lava Jato, depois entrou na política, foi eleito deputado federal, perdeu o mandato por decisão da Justiça Eleitoral e, três anos depois, está novamente tentando chegar a Brasília.
Só que desta vez pela porta do Senado.
E antes de saber quantos votos terá nas urnas, Dallagnol ainda precisa saber como terminará sua própria novela nos tribunais.
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