Basílica São Pedro, no Vaticano. (Foto: Riccardo Antimiani / EFE)
Cerca de 28% dos parlamentares do 119º Congresso norte-americano identificam-se como católicos, totalizando 150 legisladores entre a Câmara dos Representantes e o Senado. Em meio aos desafios políticos no Capitólio, esses representantes relatam como a espiritualidade e a doutrina religiosa moldam suas atuações públicas, influenciando desde posicionamentos éticos até a rotina de trabalho.
Como os parlamentares conciliam a rotina agitada com as práticas de fé?
Muitos legisladores recorrem a pequenos momentos de oração para manter o equilíbrio durante o expediente no Capitólio. O senador Eric Schmitt, por exemplo, utiliza podcasts de bispos e padres para começar o dia, enquanto outros parlamentares participam de grupos de oração e rezam o rosário nas manhãs de votação. A tecnologia tornou-se uma aliada, permitindo que eles acessem conteúdos espirituais mesmo em dias intensos. Para esses políticos, dedicar dez minutos à espiritualidade ajuda a manter o foco e o propósito no serviço público e nas decisões legislativas.
De que maneira a doutrina católica influencia a atuação política no Capitólio?
A fé é descrita por legisladores como Riley Moore e Robert Onder como o pilar central de suas vidas. Ela atua como uma ‘atração gravitacional’ que os ajuda a discernir a vontade divina em um ambiente focado na vontade individual. Na prática, isso se traduz na defesa da liberdade religiosa, no apoio aos direitos de consciência para profissionais de saúde e no combate à perseguição de cristãos pelo mundo. Para esses parlamentares, o serviço ao país é visto como uma extensão do compromisso cristão, priorizando valores da família e a proteção da vida em suas agendas políticas.
Existem histórias de conversão ou retorno à fé entre os congressistas?
Sim, trajetórias pessoais de redescoberta religiosa são comuns entre os parlamentares. O deputado John Rutherford, que cresceu em outra denominação, decidiu estudar a Bíblia e documentos papais após enfrentar crises existenciais como policial. Ele se converteu ao catolicismo inspirado pela autoridade da Igreja e pela presença de Jesus na Eucaristia. Já a deputada Stephanie Bice aproximou-se da religião na faculdade. Outros líderes, como Mark Messmer, relatam que retiros voltados para leigos acenderam uma paixão renovada pelo Evangelho, transformando sua visão sobre liderança.
Como o sofrimento pessoal impacta a visão desses líderes sobre a política?
Provas pessoais, como doenças na família ou perdas trágicas, fortaleceram a fé de nomes como o líder da maioria, Tom Emmer. Ele relata que a serenidade de sua irmã diante de um câncer terminal o ajudou a superar a raiva e a confiar na vontade de Deus. No campo internacional, o contato com vítimas de terrorismo na Nigéria sensibilizou parlamentares para a ideia de que há ‘salvação através do sofrimento’. Essas experiências humanas profundas os motivam a agir no Congresso para aliviar a dor do próximo, enxergando a política como uma ferramenta de auxílio e caridade.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.


