FMI citou a melhora da segurança entre os fatores que ajudam a sustentar o desempenho da economia de El Salvador sob Bukele. (Foto: Rodrigo Sura/EFE)
O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta quinta-feira (1º) que a economia de El Salvador apresenta um desempenho acima do esperado e citou a melhora da segurança no país centro-americano e o aumento da confiança dos investidores entre os fatores que ajudam a sustentar o crescimento.
A avaliação foi divulgada após o conselho executivo da instituição concluir duas novas revisões do programa econômico firmado com o governo do presidente Nayib Bukele e autorizar a liberação imediata de cerca de US$ 138 milhões do país. O valor corresponde a uma nova parcela do acordo de financiamento de US$ 1,4 bilhão aprovado pelo FMI em 2025 para apoiar as contas públicas e reforçar as reservas internacionais de El Salvador.
“A atividade econômica superou as expectativas, apoiada por melhoras sustentadas na segurança e na confiança dos investidores”, afirmou o Fundo no comunicado divulgado após a análise do programa.
Em setembro, técnicos do FMI elevaram a previsão de crescimento da economia de El Salvador para 4,5% em 2026. Segundo a instituição, além da melhora da segurança e da maior confiança dos investidores, o desempenho tem sido impulsionado pelo aumento dos investimentos e do consumo privado, além da entrada de remessas do exterior, turistas e capital no país.
O Fundo também destacou avanços nas contas públicas. Segundo a instituição, o ajuste fiscal realizado pelo governo Bukele avançou de maneira compatível com os objetivos estabelecidos no acordo de financiamento, enquanto as reservas e os níveis de liquidez ficaram acima das metas previstas.
Dan Katz, primeiro vice-diretor do FMI, afirmou que o programa econômico salvadorenho vem apresentando “benefícios tangíveis”. Segundo ele, o crescimento do PIB salvadorenho superou as expectativas, indicadores sociais melhoraram e as reservas fiscais e externas foram reforçadas.
O acordo atualmente em vigor entre El Salvador e o FMI tem duração de 40 meses. O programa prevê acesso a aproximadamente US$ 1,4 bilhão em recursos da instituição em troca do cumprimento de metas fiscais, financeiras e de reformas econômicas.
Pelo desenho do programa, parte dos recursos é destinada a apoiar o orçamento do governo e reforçar os depósitos públicos no Banco Central. Outra parte é direcionada ao próprio Banco Central para aumentar as reservas internacionais do país.
FMI mantém cobrança sobre bitcoin
Apesar da avaliação positiva sobre a economia, o bitcoin continua sendo um ponto de cobrança do FMI a El Salvador. Pelo acordo de financiamento firmado em 2025, o governo se comprometeu a não usar recursos públicos para aumentar suas reservas de bitcoin e a reduzir a participação do Estado nas operações com a criptomoeda. O país também tornou voluntária a aceitação do bitcoin pelo setor privado e estabeleceu que os impostos devem ser pagos apenas em dólares.
O acordo também prevê a saída do governo da Chivo, carteira digital criada pelo Estado para estimular o uso do bitcoin. Desde então, o controle majoritário da plataforma foi transferido para uma empresa privada.
Na revisão divulgada nesta quinta-feira, o FMI informou que El Salvador deixou de cumprir uma das metas relacionadas ao bitcoin. A meta em questão estabelecia que o setor público não poderia aumentar voluntariamente a quantidade de bitcoins sob seu controle. Apesar do descumprimento, o Fundo aceitou as medidas corretivas apresentadas pelo governo e autorizou a nova parcela do empréstimo.
Segundo as autoridades salvadorenhas, o aumento da quantidade de bitcoins nas carteiras públicas desde a primeira revisão do acordo ocorreu por meio de doações privadas, sem uso de dinheiro público. O governo apresentou documentos ao FMI para comprovar a origem desses ativos.
O Fundo afirmou que não espera novos aumentos nas reservas de bitcoin além dessas doações já documentadas e disse que continuará cobrando maior transparência sobre os ativos digitais mantidos pelo setor público.
A relação de El Salvador com o bitcoin é um dos pontos mais sensíveis das negociações com o FMI. O país se tornou, em 2021, o primeiro do mundo a transformar a criptomoeda em moeda de curso legal, uma das principais apostas econômicas do governo Bukele.


