Javier Milei embarca, na noite desta terça-feira (13), rumo à sua quinta viagem do ano aos Estados Unidos —país que, sob o governo de Donald Trump, é o principal aliado ideológico do presidente da Argentina. Lá, o ultraliberal deve se encontrar com Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL). O encontro provavelmente vai acontecer na noite de quarta (14) em Washington, durante um tradicional evento de gala para celebrar a cultura hispânica nos EUA. Isso porque o ex-deputado brasileiro também foi convidado para o jantar, cujo ingresso mais barato sai por US$ 3.000 (cerca de R$ 15 mil). Antes disso, Milei vai falar com empresários e investidores; no dia seguinte, a programação inclui um discurso na Câmara de Comércio dos EUA e a participação em um evento na Embaixada da Argentina em Washington contra o antissemitismo. Ao lado dos EUA, Israel é o principal foco da política externa da Casa Rosada na gestão do ultraliberal. A última vez que o presidente se reuniu com um membro da família Bolsonaro, o encontro desembocou em uma crise inédita na história recente das relações bilaterais entre Argentina e Brasil. O imbróglio começou no final de julho, quando Milei atacou autoridades brasileiras durante o lançamento da candidatura de Flávio, em São Paulo. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Em um discurso inflamado, o presidente argentino se referiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como ladrão e presidiário e chamou Moraes de “lixo careca”. Após os comentários, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, e o representante de Brasília em Buenos Aires, Julio Bitelli. A crise continuou nos dias seguintes, com o ministro Dario Durigan (Fazenda) chamando Milei de palhaço, e o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) classificando o argentino como “caricatura patética” e puxa-saco de Trump. Diante da manutenção dos ataques, o governo brasileiro dispensou o embaixador da Argentina em Brasília e manteve Bitelli no Brasil —situação que se mantém até hoje. Naquele momento, o Datafolha mostrava Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 32% de Flávio. O cenário mudou desde então, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) conquistou quase dois pontos percentuais a mais que o atual presidente na votação do dia 4 de outubro. Os resultados foram recebidos com euforia por Milei, e, assim como Trump tem feito com as recentes vitórias da direita na América Latina, o argentino toma para si o favoritismo com o qual Flávio chega no segundo turno, no dia 25 de outubro. De acordo com a imprensa argentina, o ultraliberal ressaltou em uma reunião de gabinete no dia seguinte à votação no Brasil que o candidato do PL estava muitos pontos atrás de Lula quando o visitou. Milei embarca na noite de quinta (15) de volta à Argentina, onde deve permanecer apenas durante o fim de semana, já que, na segunda (19), voa para a Espanha. A agenda no país europeu ainda não está fechada, mas, também de acordo com a imprensa argentina, Milei deve participar de encontros acadêmicos e empresariais, além de se reunir com a presidente regional de Madri, Isabel Díaz Ayuso, e o líder do partido Vox, o ultradireitista Santiago Abascal.
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