Segundo o vice-presidente J. D. Vance, o Partido Democrata tem um sério problema chamado Sydney Sweeney. “Vocês não aprenderam nada com a eleição de novembro de 2024?”, perguntou Vance durante uma entrevista em um podcast na semana passada. “A lição que aparentemente tiveram foi: ‘Vamos atacar pessoas como nazistas por acharem Sydney Sweeney bonita.’” Seus comentários se somaram ao coro de vozes republicanas e da direita que argumentaram que uma nova campanha publicitária da American Eagle com Sweeney, uma das maiores jovens estrelas de Hollywood, teria provocado indignação da esquerda por causa de seu slogan: “Sydney Sweeney tem um jeans incrível.” Segundo eles, os progressistas estavam indignados com o duplo sentido intencional envolvendo a palavra “genes”, sugerindo uma insinuação a eugenia ou supremacia branca. Na realidade, a maioria dos progressistas não estava nem um pouco incomodada. As críticas à campanha publicitária vieram quase inteiramente de algumas contas com relativamente poucos seguidores, segundo uma análise de dados das redes sociais feita pelo The New York Times. O debate sobre o anúncio não se intensificou nas redes ou na mídia tradicional até dias depois, quando influenciadores, apresentadores e políticos de direita começaram a criticar o que descreveram como uma onda de indignação progressista. No momento em que os usuários de direita começaram a se revoltar, apenas alguns milhares de postagens na plataforma X mencionavam Sweeney, segundo dados da Tweet Binder, uma empresa de análise de redes sociais. Menos de 10% desses posts expressavam críticas claras à atriz ou ao anúncio, de acordo com a análise do Times, que utilizou inteligência artificial para ajudar a identificar as publicações. No geral, havia três vezes mais postagens apoiando a campanha e Sweeney na plataforma X do que críticas, nos dias seguintes ao lançamento da peça publicitária, mostrou a análise do NYT. A agitação nas redes sociais em torno da propaganda da American Eagle foi impulsionada, pelo menos em parte, pelo interesse aparentemente insaciável do público por Sweeney. Mas também revela como, na internet de hoje, uma controvérsia pode ser descrita como generalizada quando, na verdade, não é. Em vez disso, pessoas com uma agenda podem selecionar a dedo entre dezenas de milhões de postagens e vídeos que surgem diariamente para apoiar seu argumento. A direita política se tornou particularmente habilidosa nessa tática, consciente de como explorar questões culturais sensíveis pode gerar raiva popular não apenas contra ideias progressistas, mas contra o próprio Partido Democrata. No caso dos anúncios da American Eagle, o discurso unilateral também parece ter provocado um debate real: as críticas da esquerda aumentaram consideravelmente depois que o tema ganhou força na direita. “Os republicanos vão continuar martelando isso porque sabem que conseguem encontrar 13 adolescentes no TikTok dizendo algo absurdo e transformar isso em uma notícia que dura duas semanas”, disse Ryan Broderick, autor da Garbage Day, um boletim informativo sobre cultura da internet. As reações iniciais foram em grande parte apolíticas, embora alguns progressistas tenham criticado os tons sexuais do anúncio, enquanto alguns na direita aplaudiram um retorno à “publicidade tradicional”, no que consideravam um afastamento de representações mais diversas. Nas margens de sites como TikTok e X, alguns usuários começaram a sugerir que a campanha tinha uma mensagem mais sutil e ameaçadora ligada à eugenia: que o visual loiro de olhos azuis seria, de alguma forma, superior. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo “Ela tem um bom jeans como se tivesse bons GENES! hahahaha tipo, de forma nazista!!” dizia uma postagem de 25 de julho na plataforma X que teve mais de 5 milhões de visualizações. No dia seguinte, um vídeo no TikTok que também fazia uma comparação com o nazismo teve 3,5 milhões de visualizações. Essas, no entanto, parecem ter sido exceções: quase três quartos das postagens críticas a Sweeney ou ao anúncio tiveram menos de 500 visualizações, mostram os dados. Muitos usuários pró-Trump amplificaram as postagens críticas com publicações e compartilhamentos, gerando ainda mais atenção para conteúdos que normalmente alcançariam apenas alguns milhares de pessoas. A maré começou a mudar em 27 de julho, quando grandes contas da direita como Libs of TikTok começaram a republicar críticas à campanha da American Eagle, zombando delas como exemplos de progressistas ofendidos. “Continuem assim, democratas,” postou a conta, administrada por uma mulher chamada Chaya Raichik e que tem 4,3 milhões de seguidores na plataforma X. “Isso vai ser ótimo para vocês.” Raichik e outra conta de direita compartilharam um vídeo de um usuário progressista do TikTok com 70 mil seguidores. As republicações foram vistas mais de 4,4 milhões de vezes na plataforma X, superando em muito o alcance da postagem original. Então vieram os apresentadores de podcast. Talvez estimulados pelo sucesso viral das postagens que defendiam a campanha da American Eagle enquanto atacavam pontos de vista da esquerda, apresentadores populares como Charlie Kirk, Clay Travis e Michael Knowles mergulharam no assunto, dedicando cada vez mais tempo em seus programas ao que descreviam como prova de uma cultura democrata “mentalmente quebrada”. Logo, políticos republicanos eleitos também entraram na discussão. “Agora a esquerda maluca se voltou contra mulheres bonitas”, postou o senador Ted Cruz, do Texas, em 29 de julho. Após surgirem relatos de que Sweeney se registrou como republicana na Flórida no ano passado, o presidente Donald Trump postou na Truth Social que Sweeney “tem o anúncio MAIS QUENTE que existe” e elogiou a campanha por não ser woke. Ausentes da conversa em evolução, no entanto, estavam quaisquer democratas eleitos que condenassem o comercial da American Eagle. “Alguém da esquerda realmente atacou o anúncio da Sweeney?” perguntou o podcaster progressista Brian Tyler Cohen, que tem 600 mil seguidores na plataforma X e 4,6 milhões de inscritos no YouTube, em uma postagem na semana passada, enquanto circulavam artigos sobre a polêmica. Travis, que discutiu os anúncios quase todos os dias na última semana em seu podcast de esportes e política, “OutKick”, assim como em seu programa de rádio nacionalmente distribuído, reconheceu em uma entrevista que os democratas eleitos não criticaram os anúncios. Mas ele afirmou que o fato de não terem refutado com firmeza as críticas à campanha provava que o partido era cúmplice de uma cultura woke fora de controle. “Não vi um único democrata apontar o absurdo,” disse ele. “O silêncio deles diz tudo.” Sweeney não comentou publicamente a campanha, e a American Eagle também se manteve em grande parte fora da controvérsia, exceto por uma postagem no Instagram no final da semana passada que dizia que a campanha “é e sempre foi sobre os jeans”. Pelo menos em curto prazo, toda essa atenção não prejudicou a marca: as ações da American Eagle subiram quase 26% desde o início da campanha.
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