Cantor e compositor faleceu em 7 de julho de 1990, aos 32 anos, e deixou um legado de músicas intensas, críticas sociais e atitude revolucionária no rock brasileiro
No dia 7 de julho de 1990, o Brasil perdia uma de suas vozes mais autênticas, intensas e contestadoras: Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza. Trinta e cinco anos depois de sua morte, aos 32 anos, vítima de complicações relacionadas à AIDS, sua obra continua viva — cantada, estudada e celebrada por diversas gerações.
Nascido no Rio de Janeiro em 1958, Cazuza foi muito mais do que um cantor. Era um poeta urbano, um provocador nato, que usava a música como instrumento de denúncia, libertação e amor. Iniciou sua trajetória artística como vocalista do Barão Vermelho, banda que ajudou a revolucionar o rock nacional nos anos 1980 com sucessos como “Pro Dia Nascer Feliz” e “Bete Balanço”. Após deixar o grupo, iniciou uma carreira solo ainda mais pessoal e ousada, com letras que falavam de amor, morte, política e existencialismo.

Em um país marcado pela redemocratização e pelas mudanças sociais intensas, Cazuza tornou-se símbolo de liberdade artística e pessoal. Assumidamente bissexual e soropositivo, ele enfrentou o preconceito com coragem, dando um rosto humano à epidemia de HIV no Brasil.
Álbuns como “Ideologia”, “O Tempo Não Para” e “Exagerado” consagraram sua poesia crua, inquieta e, ao mesmo tempo, sensível. Sua última aparição pública, já visivelmente debilitado, foi um ato de resistência e emoção: o show do álbum “Burguesia”, gravado em 1989, ficou eternizado como um retrato de sua entrega à arte até os últimos dias.

Cazuza morreu cercado pela família, entre eles seu pai, o produtor musical João Araújo, e sua mãe, Lucinha Araújo, que fundaria no ano seguinte a Sociedade Viva Cazuza, dedicada a apoiar crianças e adolescentes soropositivos.
Mesmo após três décadas e meia, Cazuza segue atual. Suas músicas ainda tocam feridas abertas, seus versos ainda provocam reflexões. “O tempo não para”, como ele dizia, mas sua arte permanece — como um grito de liberdade, um poema urbano, uma eterna celebração da vida em sua forma mais intensa.


