SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O líder do Hezbollah, Naim Qassem, disse nesta sexta-feira (13) que o grupo armado libanês está preparado para um longo confronto com Israel. Qassem disse que os israelenses serão surpreendidos no campo de batalha. Ele fez um discurso televisionado e acrescentou que as ameaças de matá-lo são “inúteis”. “Nos preparamos para um longo confronto e, se Deus quiser, eles (os israelenses) serão surpreendidos no campo de batalha”, disse Qassem. Israel afirmou que Qassem é um “alvo marcado para eliminação” no início do mês. Em mensagem publicada nas redes sociais, o ministro israelense Israel Katz disse que o Hezbollah “pagará um preço pesado pelos disparos contra Israel”. Apoiado pelo Irã, Hezbollah intensificou ataques a Israel após a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Do outro lado, Israel tem como estratégia destruir a infraestrutura do grupo. Quase 700 pessoas morreram desde o início dos ataques israelenses ao Líbano, segundo o Ministério da Saúde do país. Os alertas de evacuação também fizeram centenas de milhares de moradores deixarem suas casas, enquanto o conflito continua se intensificando. Israel também foi atingido por ataques coordenados entre Irã e Hezbollah a partir do Líbano. Foram disparados cerca de 200 mísseis e foguetes contra o norte e o centro território israelense ontem. Ministro afirma não confiar que o governo libanês consiga desarmar o Hezbollah e disse que seu país pode tomar território no sul do Líbano. “Avisei o presidente do Líbano que, se o governo libanês não souber como controlar o território e impedir que o Hezbollah ameace as comunidades do norte e atire contra Israel, nós mesmos tomaremos o território e faremos isso”, disse Katz, segundo o jornal “The Times of Israel”. QUEM É NAIM QASSEM Naim Mohammad Qassem, 73, é um clérigo, político xiita libanês, um dos fundadores do Hezbollah e uma das figuras mais antigas da organização. Ele ajudou a criar o grupo em 1982, com apoio do Irã, após a invasão israelense ao Líbano. Durante décadas, atuou como número dois do movimento. Em 1991, tornou-se secretário-geral adjunto do Hezbollah e permaneceu no posto mesmo após Hassan Nasrallah assumir o comando. Ao longo dos anos, tornou-se um dos principais articuladores políticos e porta-vozes do grupo. Após a morte de Nasrallah, em 27 de setembro de 2024, em um ataque israelense em Beirute, Qassem foi eleito secretário-geral, tornando-se o quarto líder da organização. Formado em Química pela Universidade Libanesa, Qassem trabalhou como professor antes de se dedicar integralmente à militância política e religiosa. Também teve passagem pelo movimento Amal, outro grupo xiita libanês. Autor de um livro publicado em 2005 sobre o Hezbollah, Qassem ofereceu um dos raros relatos internos do grupo. Ele se distingue também pelo turbante branco. Já Nasrallah e Safieddine usavam turbantes pretos, que indicam linhagem atribuída ao profeta Maomé. Leia Também: EUA enviam 2.500 fuzileiros e navio ao Oriente Médio
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