O líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta terça-feira (17) que o país manterá uma “resistência inexpugnável” diante das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a mencionar a possibilidade de assumir o controle da ilha. “Diante do pior cenário, Cuba tem uma certeza: qualquer agressor externo encontrará uma resistência inexpugnável”, escreveu Díaz-Canel na rede X. Na segunda-feira (16), Trump disse a jornalistas que “acredita que terá a honra de tomar Cuba” e que “pode fazer o que quiser” com a ilha. “Ouvi minha vida toda sobre os Estados Unidos e Cuba. ‘Quando é que os EUA vão fazer isso?’. Eu realmente acredito que terei a honra de tomar Cuba”, afirmou o republicano no Salão Oval da Casa Branca. A ilha vive uma crise generalizada e um bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao envio de petróleo, fundamental para a sobrevivência do setor energético da ilha. O embargo já dura cerca de três meses, aprofundado pela captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, no início de janeiro. Caracas e México, importantes fornecedores, interromperam as remessas ao país. Díaz-Canel afirmou que os EUA “ameaçam publicamente Cuba quase diariamente”. “E usam um pretexto indignante: as duras limitações da enfraquecida economia que eles próprios têm agredido e tentado isolar há mais de seis décadas”, disse ainda, em referência ao embargo histórico de Washington em vigor desde 1962. A ilha tem convivido com apagões, hotéis fechados, voos cancelados e suspensão de coleta de lixo e serviços básicos. Na segunda, a rede do país colapsou, deixando todos os cerca de 10 milhões de habitantes sem luz por mais de 29h. A energia foi estabelecida no dia seguinte, às 18h11 do horário local, segundo o regime, que informou ter colocado em operação sua maior usina termoelétrica movida a óleo. Ainda assim, autoridades afirmaram que podem persistir cortes de energia, já que a geração permanece insuficiente para atender à demanda. Cuba ainda não informou a causa da falha nacional, a primeira desse tipo desde que os Estados Unidos interromperam o fornecimento de petróleo à ilha. A maioria da população, inclusive na capital, Havana, já vinha enfrentando cortes de 16 horas por dia. Há semanas, Trump vem multiplicando declarações ofensivas contra Havana e seus dirigentes, ao mesmo tempo em que afirma que a ilha deseja “concluir um acordo” com os Estados Unidos. Diáz-Canel admitiu na última sexta-feira (13) que o regime cubano tem conversado com a Casa Branca. O contato não é inédito. Embora antagonistas, os dois países já passaram por outros momentos de negociação desde que a Revolução Cubana tirou do poder o ditador Fulgencio Batista, aliado dos EUA, em 1959. De lá para cá, ao menos 13 presidentes americanos tentaram, sem sucesso, alterar o status quo da ilha, combinando pressões estratégicas e cálculos domésticos. Em nenhum momento, porém, os ventos pareceram tão favoráveis a Washington, que coloca a ilha como próximo alvo de movimentos agressivos da diplomacia do segundo mandato de Trump que refletem sua “Doutrina Donroe” de intervenções no Hemisfério Ocidental.
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