IGOR GIELOWSÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O segundo dia da nova rodada de negociações diretas entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia sobre a guerra iniciada pela invasão do vizinho por Vladimir Putin em 2022 não trouxe avanços significativos. Pontos cruciais seguem travando as conversas. Elas aconteceram na quarta-feira (4) e nesta quinta (5) em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos. Foi a segunda etapa de reuniões neste formato, que nunca haviam acontecido antes, e as diferenças continuam.Segundo a Folha de S.Paulo ouviu de uma pessoa próxima do Kremlin, os temas centrais encalacrados seguem os mesmos: Kiev não quer fazer nenhuma concessão territorial e Moscou rejeita que a paz seja garantida por uma força ocidental em solo ucraniano. Há diversos outros itens contenciosos, como por exemplo o controle da usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa, que está inoperante desde que os russos a tomaram no início da invasão. Vladimir Putin quer a unidade para si, aceitando supervisão americana, e Volodimir Zelenski não abre mão da central. O negociador-chefe americano, Steve Witkoff, buscou previsivelmente destacar no que chamou de “conversas produtivas” e numa modesta troca de prisioneiros de guerra, 157 de cada lado, como resultado das conversas. Mas foi um integrante graúdo do governo de Donald Trump, o secretário Scott Bessent (Tesouro), que indicou o mal-estar na administração americana com a falta de avanços. E ele mirou Putin, usualmente com quem o presidente dos EUA se alinha. Falando a jornalistas em Washington, Bessent reafirmou que considera Putin um criminoso de guerra e que a invasão da Ucrânia foi ilegal. Por outro lado, disse que novas sanções contra a indústria energética russa só serão avaliadas após a conclusão das negociações tripartites. Elas continuarão “nas próximas semanas”, afirmou por sua vez Witkoff. O negociador é visto em Moscou como um relativo aliado, mas com pouca compreensão do tema sobre o qual trata. Amigo de Trump egresso do mercado imobiliário, ele não tem treinamento diplomático. O único avanço de fato obtido em Abu Dhabi foi às margens do tema Ucrânia, com o estabelecimento de uma comissão militar de alto nível entre EUA e Rússia, o primeiro sinal de aproximação prática entre as potências nucleares desde o início da guerra. Na mesma faixa de frequência, foram iniciadas negociações para estender informalmente por um ano o último tratado de controle de armas atômicas entre os países, que expirou nesta quinta. Leia Também: Lula diz que terá conversa olho no olho com Trump e que só não discutirá soberania
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