Celebração de fé com mais de três séculos de história ganha status nacional e será registrada pelo Iphan como bem cultural
A devoção que move milhões de romeiros todos os anos em direção à cidade de Bom Jesus da Lapa, no Oeste da Bahia, acaba de alcançar um novo patamar na história da religiosidade e da cultura brasileira. A tradicional Romaria do Senhor Bom Jesus da Lapa, realizada há mais de 330 anos, foi oficialmente declarada Patrimônio Imaterial Cultural do Brasil, por meio de lei sancionada pelo Presidente da República e publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 8 de setembro de 2025.
A conquista representa o reconhecimento da grandiosidade de um dos maiores eventos religiosos do país, que atrai peregrinos de todas as regiões e movimenta a vida espiritual, cultural e econômica de Bom Jesus da Lapa. A partir de agora, a romaria integra a lista de manifestações culturais de natureza imaterial protegidas pelo Estado brasileiro, passando a ser registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Reconhecimento nacional após conquista estadual
Em 2023, a romaria já havia sido elevada à condição de Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia, em solenidade marcada pelos 332 anos de tradição. Dois anos depois, com a aprovação do Projeto de Lei 2.374/2022, de autoria do deputado baiano Arthur Maia, a devoção ultrapassou os limites do estado e alcançou status nacional. O texto, relatado no Senado pela senadora Augusta Brito, foi aprovado em agosto deste ano e seguiu para sanção presidencial, agora oficializada.
Patrimônio de fé, cultura e tradição
Mais do que um evento religioso, a Romaria de Bom Jesus da Lapa é um fenômeno cultural que reúne elementos de fé popular, manifestações artísticas, música, culinária típica e expressões de religiosidade herdadas ao longo de gerações. O Santuário, localizado em uma gruta de rara beleza natural às margens do Rio São Francisco, se torna palco de intensas celebrações, procissões e encontros de milhares de peregrinos que viajam por estrada, barco, bicicleta ou mesmo a pé, movidos pela fé e pela esperança.

O reconhecimento como Patrimônio Imaterial do Brasil também abre espaço para novas políticas públicas de valorização e preservação da tradição. Entre as ações previstas estão o apoio à segurança dos romeiros, incentivo a atividades religiosas e culturais, além de iniciativas que garantam a integração e o bem-estar dos peregrinos ao longo do trajeto até o Santuário.
Um marco para a cultura brasileira
Ao sancionar a lei, o governo federal reforça a importância da romaria como uma das maiores expressões de fé da América Latina. “Esse título é uma homenagem ao povo romeiro, que mantém viva a chama da devoção ao Senhor Bom Jesus por mais de três séculos”, destacou Arthur Maia, autor do projeto.
O novo status também fortalece o turismo religioso, setor cada vez mais relevante para a economia nacional, especialmente na Bahia, onde eventos como a Festa do Bonfim e a própria romaria movimentam milhares de visitantes.
História viva de um povo
Fundada em 1691 pelo ermitão português Francisco Mendonça Mar, a Romaria do Senhor Bom Jesus da Lapa atravessou séculos mantendo suas características originais de fé e devoção popular. Hoje, é considerada a “Capital da Fé da Bahia”, reunindo anualmente cerca de 600 mil pessoas em agosto, mês em que ocorre a principal celebração.
Com o novo título, a romaria se junta ao seleto grupo de bens culturais imateriais brasileiros reconhecidos pelo Iphan, reafirmando sua relevância histórica, cultural e espiritual para o Brasil.


