BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – O governo de Javier Milei tenta contornar um escândalo de supostas propinas envolvendo a Andis (Agência Nacional de Pessoas com Deficiência). A Casa Rosada demitiu Diego Spagnuolo, ex-diretor do órgão, advogado e próximo ao presidente da República. O escândalo foi conhecido pelos argentinos após a divulgação de uma série de gravações com relatos de supostos pedidos de suborno e também menções à secretária-geral da Presidência e irmã de Milei, Karina. Os áudios foram divulgados pela primeira vez na quarta-feira (20) pelo site Data Clave e pelo canal de streaming Carnaval e têm origem ainda desconhecida. A voz, que seria de Spagnuolo, fala de supostas propinas solicitadas aos laboratórios que fornecem medicamentos para a Andis. Há também referências a um intermediário, a drogaria Suízo Argentina, e ao suposto papel de Karina Milei e do articulador Eduardo “Lule” Menem na trama. Milei e o ex-funcionário são próximos. Spagnuolo faz parte do partido A Liberdade Avança desde sua fundação em 2021 e foi advogado de Milei. Segundo dados oficiais, ele entrou na quinta de Olivos (residência oficial do presidente) 38 vezes em 2024 e 2025. Também foi removido de seu cargo o diretor nacional de Acesso aos Serviços de Saúde da Andis, Daniel Garbellini, que nos áudios Spagnuolo descreve como “um criminoso que administra a caixa” da agência. O ex-diretor também afirma que alertou Milei sobre os supostos atos de corrupção e aponta Karina e “Lule” Menem como responsáveis. No anúncio da demissão, a Casa Rosada preferiu criticar a oposição pelo suposto uso político do escândalo. A destituição de Spagnuolo de seu cargo foi publicada no Diário Oficial na quinta-feira (21) e detalhada pelo porta-voz da Presidência, Manuel Adorni, que argumentou que se tratava de uma remoção preventiva devido ao “evidente uso político da oposição em um ano eleitoral”. Milei, por sua vez, ignorou o escândalo. Em um evento público com empresários, não mencionou o caso ou a saída de Spagnuolo. Na madrugada desta sexta-feira (22), a polícia da cidade de Buenos Aires realizou 14 operações em uma investigação relacionada aos áudios do ex-chefe da agência, que mencionou potenciais pagamentos de suborno pela drogaria Suizo Argentina. O juiz federal Sebastián Casanello, a pedido do promotor Franco Picardi, autorizou a entrada na sede da Andis e da empresa, resultando na apreensão de computadores e documentos sobre a compra de medicamentos. Os áudios do ex-diretor mencionavam a empresa de distribuição e armazenamento de medicamentos e insumos de saúde, que tem mais de cem anos de atividade e estoques espalhados por todo o país. Até o fim da manhã, Spagnuolo ainda não tinha sido encontrado pelas autoridades para dar explicações. Além disso, a casa de Emmanuel Kovalivker, um dos donos da Suizo Argentina, foi revistada. A polícia encontrou e confiscou mais de US$ 200 mil (R$ 1,1 milhão) em envelopes e seu celular. Também foram realizadas buscas nas residências de Spagnuolo e de Garbellini, mas não foram encontrados celulares nesses locais. A operação não teve mandado de prisão, mas visava a coletar provas em resposta a uma denúncia feita pelo advogado Gregorio Dalbón. Ele pediu investigação por suborno, administração fraudulenta e violações da lei de ética pública e possíveis associações ilícitas. Mais investigações estão previstas, e a Justiça determinou que o caso fosse mantido em sigilo. Não é a primeira vez que a irmã e braço direito de Milei é implicada em um escândalo. No caso $Libra, de um criptoativo que foi promovido por Milei, a irmã do presidente não é acusada nem processada, mas foi mencionada como aquela que facilitou o acesso do desenvolvedor financeiro do esquema à Casa Rosada.
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