Abalo atingiu o leste do país, destruiu vilarejos inteiros e expôs fragilidade humanitária; operações de resgate enfrentam dificuldades
Um terremoto de magnitude 6,0 atingiu o leste do Afeganistão na noite deste domingo (31), deixando um rastro de destruição e dor. O epicentro foi localizado próximo à cidade de Jalalabad, na província de Nangarhar, região montanhosa que faz fronteira com o Paquistão. O tremor, registrado por volta das 23h47 no horário local, teve profundidade rasa – entre 8 e 10 km – o que potencializou seu impacto devastador.
As consequências foram imediatas e trágicas. Pelo menos 800 pessoas perderam a vida, enquanto outras 2.800 ficaram feridas, segundo informações divulgadas pelas autoridades locais e pela Crescente Vermelha Afegã. Diversas aldeias foram totalmente destruídas, deixando milhares de famílias sem abrigo e obrigando sobreviventes a improvisar acampamentos ao ar livre.

Vilarejos arrasados e cenas de desespero
Relatos de moradores descrevem um cenário de caos. Casas construídas de barro e tijolos sem reforço não resistiram à força do abalo e desmoronaram em segundos. “Há morte em todas as casas”, disseram sobreviventes às equipes de resgate, segundo a imprensa internacional. O colapso de estradas e a ocorrência de deslizamentos de terra dificultam o acesso às áreas mais afetadas, atrasando o socorro.
Minutos após o tremor principal, uma série de abalos secundários – com magnitudes entre 4,5 e 5,2 – ampliou o pânico e comprometeu ainda mais a infraestrutura precária da região.

Resgate em meio a grandes desafios
Equipes de emergência afegãs, apoiadas por helicópteros e voluntários, tentam localizar sobreviventes em meio aos escombros. O transporte de feridos para hospitais próximos tem sido um dos maiores desafios, já que muitas unidades de saúde estavam sobrecarregadas antes mesmo da tragédia.
A Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou solidariedade e enviou apoio emergencial, enquanto países vizinhos, como o Irã, ofereceram ajuda humanitária. Apesar disso, a situação se mostra ainda mais delicada porque o Afeganistão vive um isolamento internacional desde 2021, após a volta do Talibã ao poder, o que reduziu consideravelmente a chegada de recursos externos.

Um país vulnerável a tremores
Localizado em uma das regiões mais sísmicas do mundo, na confluência das placas tectônicas da Índia e da Eurásia, o Afeganistão tem um histórico de tragédias provocadas por terremotos. Em outubro de 2023, a província de Herat foi devastada por abalos que mataram mais de 1.400 pessoas. Em junho de 2022, outro tremor no leste do país deixou mais de mil mortos.
Esse novo desastre evidencia, mais uma vez, a vulnerabilidade da população afegã, que enfrenta crises sobrepostas: instabilidade política, fragilidade econômica, insegurança alimentar e agora uma catástrofe natural de grandes proporções.
Esperança em meio à dor
Mesmo diante da destruição, equipes de resgate ainda encontram sobreviventes entre os escombros, renovando a esperança das famílias. Organizações humanitárias reforçam o apelo para que a comunidade internacional se mobilize, oferecendo recursos, alimentos, medicamentos e apoio logístico.
Enquanto isso, milhares de afegãos aguardam notícias de parentes desaparecidos, rezando por reencontros em meio ao luto que tomou conta do país.


